segunda-feira, 20 de outubro de 2008

TAXI-GIRL

se eu soubesse o que era o seu amor
não teria imitado as fadas lilases
flertando de flor em flor
saboreando as sensações orgânicas
a textura e o sabor
o perfume e a cor
a visão e o som e o amor
o prazer escondido na dor



se eu soubesse o que era o seu amor
não teria imitado as fadas lilases
fingindo como taxi-girls
na madrugada do jardim escuro
recebendo centavos de luar
para dançar com elfos
e tantas outras criaturas mágicas
bêbadas de gotas de orvalho



se eu soubesse o que era o seu amor
teria fugido antes mesmo de começar
teria me perdido antes mesmo de amar
teria vagado por ai
até a noite me esquecer.

sábado, 18 de outubro de 2008

BEIJOS

beijos disléxicos
que contam tudo errado ao pé da orelha
e espalham a confusão...
beijos de cego
de um mundo triste e sem nexo
a vida sem sexo...
beijos sem afeto
que deixam marcas violentas na pele
hematomas eternos...
beijos que matam
os beijos da mulher aranha.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

OS DIAS

numa dessas noites sem fim
e enquanto ainda dormiam
um beijou as costas do outro
num lugar escondido demais
num lugar proibido demais
bem próximo das nádegas
despertando assim
um outro dia sem fim.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CARTOMANTE

aprendi a ler corações e mentes
e os seus sinais todos
pra poder sempre saber
o que se passa nessa sua vida
o que acontece nesses seus dias
a quantas anda o nosso amor.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

ELIZ-A-BETHE

ela habitava Escorpião
Antares era seu coração
eu era nativo de Hidra
me afogava em chuvas de lágrimas
e nossa comunicação
na poeira dos cometas
e nossa união
nos riscos das estrelas cadentes
as nossas trocas de versos e confidências
eram nossas e eficientes

um dia ela desapareceu
nem sei pra onde e porque
porém sua luz ainda está aqui
mesmo que um pequeno vestígio
afinal a luz viaja rápida
e a luz se perde sempre
e a luz se acha sempre
na própria luz
no escuro
e nos seus olhos
e nas minhas lembranças.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OS ESTRAGOS PERMANENTES

no escuro pleno
arquiteto a ereção do seu monólito
me excita a visão das possibilidades
e as esperanças de um mundo novo
empacotadas nos seus espermatozóides
me viro de lado permitindo a sua entrada
na força bruta violenta-me
desbrava as minhas cavidades todas
desfaz-se comigo no meu momento
corpos e desejos e corações são os mesmos
afinal não há diferenças
no escuro pleno
...corpos descansam cansados
e a magia está feita:
o estrago não tem fim
o fim não tem volta
o monólito tomba inerte
e mais uma vez
sem acender as luzes
dou-lhe as costas.

EM SEGURANÇA

escravo de corpos celestiais e rostos bonitos
escravo de preservativos elásticos e viagra
escravo de pílulas multicoloridas pra dormir
escravo de eterna situação de baixa imunidade
escravo de picos de alto e baixo humores
e estágios variáveis de temperatura
e ataques histéricos de loucura
vendo fagulhas explodindo ao redor
escravo da febre intensa que nunca abaixa
escravo de prática sexual monótona e solitária
escravo de insasiedade sem fim
escravo do álcool e seus efeitos tolos
correndo com algo estranho pelas veias
tornado o sangue uma ameaça
à própria vida do seu corpo
escravo de uma segurança virtual
um estado constantemente mutável
e escravo da própria escolha.