terça-feira, 23 de julho de 2013

METAFORANDO

em metáforas
você brilha como milhares de estrelas
você queima como milhares de sóis
você explode como meteoro em queda
em azul
seus olhos se acendem
e então
seus olhos se apagam
dentro da noite
e em meus braços
em metáforas
como semáforos.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

SETEMBROS E OUTUBROS

e setembro termina
outubro estende-se a minha frente
feito uma planície interminável
acordo cedo antes do Sol sorrir
e bordo penas em suas costas
sopro o ar em seu rosto frio
e você levanta vôo
desaparece detrás do pinheiral
...se voltar logo
e pra me conceder perdão
e se me perdoa
assume toda a culpa
soterrando-me a vida sofrida
em solo árido e estéril
guarda minhas lembranças
apagando-me todas as memórias
...e se não voltar
não vai me carregar pro Sul
vou ficar a ver sozinho
a rota dos pássaros migratórios
desenhada no céu sobre minha cabeça
penteando os cabelos nos dedos
sentindo o cheiro da resina
e até o fim desse outubro
e novo setembro chegar
um novo par de asas
projetar.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

METABOLISMO BASAL

minha esperança
nunca foi muito maior
que a semente de uma laranja
ela se esconde nos livros que li
permeia as músicas que ouvi
entra e sai do meu corpo
junto ao ar que respiro
é criada e destruída dentro de mim
é meu metabolismo.

INSANATÓRIO DE ALMAS

a fila é longa e lenta
converso comigo mesmo
pois não confio em meus pensamentos
minha mente é um cemitério
e meus desejos me traem


aqui no canto escuro
há um armário destrancado
as almas todas calcinadas
penduradas em cabides de metal
e meus olhos me traem


o julgamento não chega
mas aqui
todo anjo ou demônio tem sua luz
mando  minha pra saciar suas vontades
forma de nada
cheiro de abacaxi


to preso e perdido aqui
nesse insanatório de almas.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

CARA NOJENTA

mirar no espelho
meu reflexo de Vênus descabelada
cara de anjo irado
...se ainda não há pecado maior
eis aqui uma tentativa
a mais fútil delas
sacrificada em palavras perdidas
heresia em elogios
...morra e quebre o espelho
em cacos minúsculos
que impossibilite o conserto
imortalizar pra sempre
fragmentado
meu reflexo invertido
de Madalena arrependida.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ESSA VIDA ADÚLTERA

se pudesse apenas transpirar
e dos sentimentos me libertar
agora  não tenho mais comigo
a ingenuidade de outrora
onde a vida eu ilustrava em nuvens
e céu em chuva e sol
na inocência pura da pele tenra
coloria tudo a giz de cera
e sonhava sonhos de mundos pueris
as lagartas devorando-me os olhos
e virando mariposas dentro de mim
...o tempo me fugiu ao controle
restaram emergências e urgências
não disfarço mais o desejo no sorriso
não reprimo mais vontades
me entrego...
ah!se eu pudesse apenas defecar
e desses pensamentos me livrar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

MANIFESTO À MASTURBAÇÃO

agora meu sangue corre ao contrário
a boca seca
do fim os pensamentos chegam ao início
a auto-sedução
do toque aos movimentos ligeiros
alcanço o equilíbrio instável
espasmos
esperma
espermatozoides e espermatozoides
batalhas
minha auto-fecundação
o meu nascer
o florescer.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

IMUNIDADE

no escuro
de olhos bem fechados
sinto a profusão de linfócitos em meu sangue
englobando e digerindo
eliminado de uma vez
os resíduos desse amor.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

RESPOSTAS

você disfarça a penetração com um falso riso
nem dor e nem prazer
nem surpresa alguma
só o susto do romper de membranas sensíveis
só o sangue das juras de amor eterno
você disfarça a decepção rolando ao lado
procurando lençóis e seca as lágrimas
só juntar tudo e partir
só deixar tudo e desistir
nem culpado e nem vítima
sem respostas
...sofre-se assim?
e era assim?
e foi assim?
acabou assim?

VERSOS INSANOS

esses versos tolos da minha mente insana
nem sei se são pra você ou pro mundo
escapam-me palavras
fogem-me estrofes
perco as rimas
ficam os pontos finais.

PNEUMO 23

os olhos não retornam mais ao corpo despedaçado
não vislumbram mais a beleza noturna
muito menos o pálido brilho das manhãs
os olhos não retornam mais ao corpo despedaçado
nunca mais vão chorar uma única lágrima
nem por dor e nem ódio e nem tristeza


ainda assim
fecham-se ao adeus.

CRASHED

o impacto na base do crânio
e a desconexão dos sonhos
ser não é mais ter que viver
viver não é mais ter nada
e nem você...
...só a saudade...só a saudade
e o gosto do coágulo
o cheiro da minha dor
apodrecida no fundo dos meus milhões de poros
e a lembrança do adeus
o cair das minhas lágrimas
fundidas na maquiagem do meu rosto carmim
...
o impacto na base do crânio
e a desconexão dos desejos
não quero mais ter pra mim
essa dor de não ter você
e nada mais...
...nem a saudade...nem a saudade
leve-me de uma vez embora daqui
pra sempre não me importo
e o gosto do fim
e o gosto da decepção
o sabor da derrota
pulverizado em cada papila da minha língua.