segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUASE NO ESCURO

algumas vezes
vivo só das minhas lágrimas
em outras
delicio-me dedicando atenção
ao velho baú de memórias
não tenho mais desejos
não tenho mais sonhos
não tenho mais brilho
minha luz apagou-se
no sufoco de um sono
cheio de devaneios
cheio de trapaças
sem alegria
e sem você.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O FIM DO MUNDO

tão perto de ir tão longe
até chegar o último dia
e tenho que decidir
se te amo
ou se te esqueço
...
o fim não é assim
tão deprimente
é só o fim.

domingo, 4 de dezembro de 2011

R&B

queria morar com você
numa concha vazia de caracol
sei que não teríamos espaço
os movimentos reprimidos
a vida restrita a somente viver
a somente se encostar
barriga com barriga
coração com coração
feliz colado a você
numa dança de amor eterno.

sábado, 29 de outubro de 2011

O SEGUNDO ANTES DO FIM

radiografias do seu peito infeccionado
mostrando o coração envolto na luxúria
a sua dor deveria fazer-me chorar
sua arrogância deveria fazer-me desistir
contudo
antes que meu dia termine em nada
deite-me ao solo frio
e ponha-me pra rastejar
deixe-me pedir aos lábios as respostas
suportando o seu último fôlego
num beijo apaixonado de despedida.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O SARCÓFAGO - MINHA MÚMIA

outra noite
que tranco minha morte diária no armário
pra renascer num jardim de ervas daninhas
onde pequenos pedaços frágeis de mim
fogem com a doce brisa do amanhecer
como leves guarda-chuvas de dentes-de-leão
capturados em pura crueldade
na seda úmida das teias de aranhas fiandeiras

outra tarde
que ela retorna laranjada como o sol
pousa delicada em meu ombro esquerdo
feito escaravelho prateado que sorri
refletindo e refratando os raios em cores
enterrando fundo outro dia agonizante
sob escamas de asas de mariposas pardas
eletrocutadas nos faróis do trânsito congestionado

o belo e o maldito rondam meu ser
e se abrigam em meu peito doído
atormentando meu pensamento e alma
e ela toca meu rosto em febre e pústulas
e mesmo com meu adeus eu sei que retornará.

DISPARATES E CONTROVERSAS

entre gerúndios e particípios
e frases plagiadas
eu quero apenas
estar num pequeno canto
desse seu
despedaçado coração.

sábado, 23 de julho de 2011

S & M - Y & B

no frágil limite entre dor e prazer
me morde e então sorri
sem ter que disfarçar seus desejos
sem ter que reprimir suas vontades
vejo o medo e o desespero
vejo o perigo e as emoções
e toda sua inocência
acelerando seu metabolismo
sinto o penetrar cego
sem direção distinta
sei que há a vergonha e a culpa
escondidas num canto do olho
mas também vejo as cores do céu
disfarçando nosso pecado
pra maldita vida alheia
sempre um terrível pecado
nunca somente o belo carinho
más também não há o medo da verdade
e nem o medo de gritar
e expressar o seu contentamento
no seu melhor momento
e na sua vez
aqui e agora e sempre
latente dentro de mim
respirando adormecido em meus braços.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A ROTINA

agora
acordo todos os dias
e realizo a manutenção do coração
um processo lento
e então percebo
que tenho estado bem demais
há ainda
fragmentos em minhas mãos
outros tantos caídos pelo chão
fáceis de juntar
fáceis de montar
e tenho certeza
e sei
que não é necessário
a você reconquistar.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DNA-Y ( para Ygor )

não é só o gosto ou só o cheiro
não é apenas a ação e a reação
no prazer resultante
é muito mais que só sentir na pele
ao se escrever seu nome com lâminas
muito mais que orgânico ou inorgânico
não está só na minha mente
ou rabiscado na superfície de estrelas
nem somente enraigado no meu peito
esse louco amor
dentro de mim fervilhante
é culpa sua
e é mutante
proveniente do seu DNA
que por beijos absorvi.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

CORAÇÕES EM DECOMPOSIÇÃO

feche os olhos por segundos
tente ver as coisas boas da vida
tente ser racional...
não deixe apodrecer o coração
feito o pão embolorado
a refeição esquecida
sobre a mesa posta.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

JOGOS DA VIDA

administrar o coração
é ter nas mãos
um pequeno quebra-cabeças
de peças que não se encaixam

quando se encaixam
é um mosaico incompreensível
revelando os desejos
de libertar meus sentimentos.

DOMINATRIX

me encosta na casca da árvore
judiada e embrutecida de líquens
me morde na curva do pescoço
e no ouvido me promete mentiras
... de repente num riso sufocado
faz o dia perder suas cores
faz a luz virar escuridão
faz o som vibrar inquietante
faz tudo se liquefazer
... e eu
orgulhoso demais pra chorar
covarde demais pra fugir
apenas permaneço
quieto e dominado
passivo
e incapaz de reagir.

domingo, 12 de junho de 2011

E-MAIL GASOSO ( para Wallace )

deixo recados carinhosos
na densa cortina de vapor
do meu banho quente
caso você não os leia
tão rápido terão sumido
que ninguém será capaz
de entender os segredos
de desvendar os mistérios
das palavras proferidas
dos nossos lábios
depois de beijos
desatados.

INTERLÚDIO # 2

o vento sopra
leve no começo
depois mais forte
é ventania agora
e todos os meus sonhos
são asas.

INTERLÚDIO

ouça
o vento sopra
suave depois forte
e esfria
sem ser inverno
sem ser solidão.

FUSO HORÁRIO

todo tempo
o sangue transporta memórias
de um lado do meu cérebro
escuro e sombrio e desconhecido
até a claridade das minhas retinas
e me faz visível
a dor e o choro e o grito
que morrem prematuros
antes mesmo de chegarem
aqui fora nessse mundo
nem me surpreendem
nem me assustam
nem me avisam
de que todo esse tempo
que aperto minha garganta
e sufoco minha própria vida
pra ver a escuridão tomar conta
...issso não me leva embora
não me faz abandonar
não me livra desse mundo
com essa superfície de luzes brilhantes.

sábado, 21 de maio de 2011

O MONSTRO INTERIOR

vasculhar seu coração
e encontrar
nada mais
que seu amor por garotas
já desgasto e corroído
percorrer sua mente
e descobrir em cada sinapse
um rosto angelical
violentado pela vida
destruido de sonhos
amadurecido cedo demais
viver a sua vida
e descobrir tão rápido
que não tenho espaço nela.

sábado, 14 de maio de 2011

O PLUG AO AVESSO

vou encontrar o doce da sutileza
no amargo da sua hostilidade
e a delicadeza do meu amor próprio
na sua imensa falta de amor
vou me desapegar desse materialismo
que faço em encantar-me com você
que crio ao apaixonar-me por você
todos os dias
todos os dias
vou me desfazer dessa energia
negativa como o tédio
no desperdício de novas vontades
no calor de uma nova luz
vou me desligar
vou me desconectar de você.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

DESSA MINHA VIDA

das tristezas dessa minha vida
destilei as dores todas
filtrei todos os rancores
e mantive o aprendizado
das alegrias dessa minha vida
guardei na memória
a sutileza do seu sono
e o brilho intenso do seu riso
...
insano enquanto me amava.

CALENTURE

mais uma vez
o tormento chega
e estica minha pele
feito couro curtido ao sol
quebradiço ao toque
frágil ao choque
e a tudo em que se enrosque
o tormento aumenta
e risca minha pele
superficial porém intenso
feito navalha cega no barbear
sangramento leve
de dor imensa
quase um parto
parto de nuvens
nuvens raivosas
azuis e violetas e negras
nuvens de tempestade
que vem e vai embora
no oceano vazio
que agora é o meu peito.

sábado, 30 de abril de 2011

DESATINO ATÉ O FIM

desatino é a minha doença
...
sempre que vejo você
...não me existe mais a razão
e nem quero mais ser eu mesmo
basta-me os devaneios
é um vício meu estar assim
ando doente assim
é meu fim estar assim.

ODE A LONDRES

me encanta as suas frases reticentes
nunca ouço as últimas sílabas
nunca me chegam suas rimas
sempre faço
imaginar o segredo que carregam
e penso na magia em minha frente
crio um mundo de faz de conta
que viaja entre o real e o estar aqui
que separa o meu e o seu corpos
sempre faço
tentar um último toque salavador
que me leve daqui pra dentro de você
e bem no fundo no seu íntimo
poder ler todos os seus versos
de dor e de horror e de terror
e desvendar as suas cartas
ainda não escritas
só lá dentro sentidas
revelando o teor da sua vida
e as intenções do seu verdadeiro amor.

domingo, 24 de abril de 2011

CANELA

deixa ser somente o cheiro de canela
e a torrente de dor que invade o peito
e a luz do sol na pele
já basta esse castigo
pra que mais
pra que me esquecer
pra que fingir que nada existiu
quando tudo é real
e latente
feito dor de dente


deixa ser somente o cheiro de canela
e a mesmice dos finais de tarde
e a luz do sol que foge
entre os dedos
entre os fios de cabelo
entre as nuvens
e por entre o nada
e tudo é por demais efêmero
e frágil
feito um beijo seu


deixa ser somente o cheiro de canela
no fim do chiclete mascado
adoçando o hálito
e a lembrança
feito fumaça de cigarro
no meu rosto
que vai embora.

sábado, 26 de março de 2011

ALCOÓLICA

e quando ando bêbado
com a realidade distorcida
é mais fácil encarar as verdades
e sofrer com as mentiras
é mais fácil abandonar você
sem os remorsos todos
e os olhares sobre sua dor
sem ter que dizer
"não te amo."

sábado, 19 de março de 2011

NOS OLHOS ( parte 2 )

olhando na curva dos meus olhos
você ve por trás dos meus disfarces
beijando meus lábios em febre
só pra sentir o gosto amargo
do meu fígado em corrosão
esqueça os charmes...
...quebre o mito
e deite-se comigo
mostre-me todas as sensações
mostre-me o fim dos dias.

domingo, 13 de março de 2011

MEIAS PALAVRAS

fingir um adeus
fingir um sorriso
mentir para mim
não falar a vontade
meias palavras
fingir um orgasmo
omitir a verdade.

DAS COISAS QUE ME ARREPENDO NA VIDA

das coisas da vida que me arrependo
a que mais pesa
foi não ter apreciado melhor
os detalhes do final de tarde
do dia em que você chegou
a música dos pássaros
as cores do horizonte
sua entrega no olhar


das coisas da vida que me arrependo
a que mais pesa
foi ter deixado você partir
feito um estranho
numa noite perdida
sem um beijo de adeus
sem a espernça das voltas
sem o meu amor


das coisas da vida que me arrependo
a que mais pesa
foi ter esquecido você
como se esquece um brinquedo
ou um sapato furado
como as cartas
e as fotos envelhecidas
e o livro não lido.

sábado, 5 de março de 2011

NOS OLHOS

é melhor amar primeiro
deixar as perguntas pra depois
quando na manhã seguinte
não há ressentimentos
e os olhares se encontram
na superfície curva das retinas
que coloridas vibram
e a tudo respondem.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O CREDO

poderia a vida voltar a ser boa?
não creio ...
então nós ainda
acreditaremos em todas as mentiras
e contaremos outras
para nos mantermos vivos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

SEM RIMAS ( para Sergio Ricardo )

desde que perdi você
a vida deu voltas e voltas e voltas
o cheiro da morte ainda está aqui
e assim como a dor que suporto
ainda se faz necessária
não consigo de forma alguma
tirar você pra sempre do meu peito
tambem não consigo achar mais rimas
pra palavra chuva
ou pras minhas lágrimas
ou pras nossas lembranças
por favor
chame urgente uma ambulância
chame urgente a polícia
meu corpo está sendo violentado
minha mente está sendo invadida
tenho uma bala de hortelã
enterrada no meio do coração
que só me envenena e não refresca
e o doce ainda amarga-me a boca
o doce não corre com o sangue
é só o vazio que se faz necessário
e não movimenta meu corpo
e não me mostra mais rimas
pro seu nome
pra palavra abril
ou pra qualquer outra.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ESCRAVOS ASSIM

na melancolia das gotas de chuva que caem
dentro da hora mais escura da nossa noite
em todas as lutas trágicas contra essa dor
e todos os efeitos colaterais desse amor
que são perceptíveis no meus sorrisos
que são perceptíveis nas minhas mentiras
na face ruborizada
nos olhos envergonhados
quando encaro a verdade
e luto contra os medos
na melancolia das gotas de chuva que caem
dentro da hora mais escura da nossa noite
em todas as lutas trágicas contra a ruina
e todos os efeitos colaterais dessa vida
que nos faz escravos desse amor.