do contato labial
o beijo se faz e se desfaz
constroem-se
todos os nossos sons e a oralidade
da dança sexual
finalmente o orgasmo vem
primeiro o meu
em seguida o seu
para sermos então
dois corpos extenuados deitados
largados gozando o silêncio
e de repente na conversa
você interrompe minha fala
fragmenta minhas frases
desarticula os substantivos dos adjetivos
esconde-os dos pronomes e verbos e advérbios
neutraliza meu pensamento
não há mais diálogo
e não cordeno mais a visão
ainda assim
da comunicação a incomunicação
por toques e gestos e sinais
na minha expressão facial
e por minhas outras vibrações
digo que amo você.
sábado, 28 de junho de 2008
O MODELO NU
toda nudez é muda
expressa-se sozinha
não tem sexo aparente
insinua-se pra qualquer um
ilustra qualquer situação
de qualquer coisa
vende um milhão
e
conquista-se
aproveita-se
arrepende-se
abandona-se
e
depois morre-se de vergonha.
expressa-se sozinha
não tem sexo aparente
insinua-se pra qualquer um
ilustra qualquer situação
de qualquer coisa
vende um milhão
e
conquista-se
aproveita-se
arrepende-se
abandona-se
e
depois morre-se de vergonha.
SOBRE A TERRA
dias sem sol
noites sem amor
as pétalas cairão leves
secas das flores velhas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
estrelas sem céu
os olhos dormirão cedo
cegos à luz de velas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
camas desfeitas
louça suja na pia
sonhos sem vidas
terra adormecida
poetas sem inspiração
ar amarelo então
beijarei as costas das mãos.
noites sem amor
as pétalas cairão leves
secas das flores velhas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
estrelas sem céu
os olhos dormirão cedo
cegos à luz de velas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
camas desfeitas
louça suja na pia
sonhos sem vidas
terra adormecida
poetas sem inspiração
ar amarelo então
beijarei as costas das mãos.
O AMOR SEGUNDO VODKA
meu amor
é frágil e poroso
de superfície corrosiva
e extremamente venenosa
maligno e vingativo
quase cego de tão doído
quase irracional de tão primitivo
quase imortal de tão vivo
quase louco de tanto que gira
puro
inocente
faz-me perceber você sempre
em todos os templos,momentos,ventos
em todos os bares,lugares,ares
em todas as vias,dias,sangrias
em todas as minhas vidas
passadas,presentes,futuras...vividas
...é assim que amo
após doses de vodka.
é frágil e poroso
de superfície corrosiva
e extremamente venenosa
maligno e vingativo
quase cego de tão doído
quase irracional de tão primitivo
quase imortal de tão vivo
quase louco de tanto que gira
puro
inocente
faz-me perceber você sempre
em todos os templos,momentos,ventos
em todos os bares,lugares,ares
em todas as vias,dias,sangrias
em todas as minhas vidas
passadas,presentes,futuras...vividas
...é assim que amo
após doses de vodka.
SHIVA
queria ser shiva
e ter todos aqueles braços
e todos aqueles poderes
expressar todos aqueles mistérios
queria seduzir e envolver você
pra abraçar e envolver você
quantas vezes eu pudesse
quantas vezes eu quisesse
quantas vezes fosse preciso
e
ainda que por um segundo apenas
satisfazer a todos os seus desejos.
e ter todos aqueles braços
e todos aqueles poderes
expressar todos aqueles mistérios
queria seduzir e envolver você
pra abraçar e envolver você
quantas vezes eu pudesse
quantas vezes eu quisesse
quantas vezes fosse preciso
e
ainda que por um segundo apenas
satisfazer a todos os seus desejos.
ANO NOVO CHINÊS - para Chris
me arrepia
me tira desse sufoco
não de uma vez...
dança comigo
só mais uma dança
coreografada no século XIV
e me deixa tonto
pra nunca mais esquecer...
me leva daqui
não pra fugir
só pra esquecer...
me deita na cama
não pra dormir
não pra sonhar
só me ame
só por essa noite
muito...muito...muito...
canta pra mim
ao pé do ouvido
uma música qualquer
sobre um amor impossível...
me faz uma poesia
daquelas sem fim
sobre lendas de dragões...
me abraça forte
e não me solta
só mais uma vez
só essa noite
e porque agora
você é minha única luz
e é ano novo chinês
com fogos de artifício no céu
revelando nossa noite
em mil e uma cores
...sou seu
explode-me
me ilumina.
me tira desse sufoco
não de uma vez...
dança comigo
só mais uma dança
coreografada no século XIV
e me deixa tonto
pra nunca mais esquecer...
me leva daqui
não pra fugir
só pra esquecer...
me deita na cama
não pra dormir
não pra sonhar
só me ame
só por essa noite
muito...muito...muito...
canta pra mim
ao pé do ouvido
uma música qualquer
sobre um amor impossível...
me faz uma poesia
daquelas sem fim
sobre lendas de dragões...
me abraça forte
e não me solta
só mais uma vez
só essa noite
e porque agora
você é minha única luz
e é ano novo chinês
com fogos de artifício no céu
revelando nossa noite
em mil e uma cores
...sou seu
explode-me
me ilumina.
O 1º ABSURDO
dizem...
sempre é muito tempo
tempo é muito sempre
sempre é muito pouco
pouco é muito sempre
sempre é pouco tempo
tempo é sempre pouco
sempre assim
assim sempre
o tempo é muito pouco sempre.
sempre é muito tempo
tempo é muito sempre
sempre é muito pouco
pouco é muito sempre
sempre é pouco tempo
tempo é sempre pouco
sempre assim
assim sempre
o tempo é muito pouco sempre.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
O PARAÍSO DOS POBRES
é tão pobre o paraíso dos pobres
...tão desprovido de ilusões
tão vazio de segundas intenções
um lago e uma macieira
e uma cobra que rasteja
e alguém escondido
que cubra a vegonha perdida
quando se descobre a verdade
e o sinal da mordida.
...tão desprovido de ilusões
tão vazio de segundas intenções
um lago e uma macieira
e uma cobra que rasteja
e alguém escondido
que cubra a vegonha perdida
quando se descobre a verdade
e o sinal da mordida.
O DEUS DOS INDIVIDUALISTAS
palavras malditas na cama desfeita
esfriam corpos e lençóis e o tempo
o abismo está aberto outra vez
e é para sempre agora
atitudes e pensamentos egoístas
o não flexionar-se para o conforto alheio
e então...
mais um deus é criado no Olimpo:
o Individulismo
ela dorme cedo
enquanto no escuro
ele se masturba.
esfriam corpos e lençóis e o tempo
o abismo está aberto outra vez
e é para sempre agora
atitudes e pensamentos egoístas
o não flexionar-se para o conforto alheio
e então...
mais um deus é criado no Olimpo:
o Individulismo
ela dorme cedo
enquanto no escuro
ele se masturba.
ANJOS DEVASSOS
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer proteger-se tanto
quando seus próprios anjos voam pelados
purpurinados e com rosas asas de flamingos
retocando a maquiagem já toda borrada
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer precaver-se tanto
quando seus próprios anjos voam excitados
masturbando-se em nuvens brancas sentados
escondendo o gozo em sorrisos maculados
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer esquivar-se tanto
se sempre é notório os saberes de que
anjos devassos prevaricam e nem querem beijar
soando por demais obscenos e imorais.
pois de que adianta querer proteger-se tanto
quando seus próprios anjos voam pelados
purpurinados e com rosas asas de flamingos
retocando a maquiagem já toda borrada
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer precaver-se tanto
quando seus próprios anjos voam excitados
masturbando-se em nuvens brancas sentados
escondendo o gozo em sorrisos maculados
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer esquivar-se tanto
se sempre é notório os saberes de que
anjos devassos prevaricam e nem querem beijar
soando por demais obscenos e imorais.
A POESIA EM SI
vejo os picos altos tocando o meu nariz
vestígios dos pêlos de lhamas
a quase ausência de oxigênio nas fendas
com suas múmias atarracadas escondidas...
e há fragmentos de Neruda no ar
intoxicando até o sangue de dentro do coração
rodopiando a alma feito catavento
junto a naúsea da altitude
e o branco da neve
e a dor em todos os poros...
que não passa
que não passa nunca
que não quer passar
e o analgésico em pílulas de versos...
vomito outra poesia colorida
que é somente outro vestígio do meu amor por você
que é a vida que vivo por você
e ainda assim...nada passa
nada desaparece
nada reage...
morre o ar em mim
morre a vida ao redor
mas não morre o último verso pra você dentro de mim.
vestígios dos pêlos de lhamas
a quase ausência de oxigênio nas fendas
com suas múmias atarracadas escondidas...
e há fragmentos de Neruda no ar
intoxicando até o sangue de dentro do coração
rodopiando a alma feito catavento
junto a naúsea da altitude
e o branco da neve
e a dor em todos os poros...
que não passa
que não passa nunca
que não quer passar
e o analgésico em pílulas de versos...
vomito outra poesia colorida
que é somente outro vestígio do meu amor por você
que é a vida que vivo por você
e ainda assim...nada passa
nada desaparece
nada reage...
morre o ar em mim
morre a vida ao redor
mas não morre o último verso pra você dentro de mim.
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