o entardecer se despede
triste chega a escuridão
tristes seus olhos procuram os meus
...não há razão pra ser assim
tão desejado e tão proibido
de acontecimentos e encontros ocultos
um segredo secreto...o tabu
o entardecer se despede
triste toco seu rosto triste
não correm mais lágrimas nele
viajamos por todas nossas lembranças
fascinante mundo do faz-de-conta
faz-de-conta que é só amor
faz-de-conta é só mais um fim
são paulo
6 de dezembro de 1998
a poluição irrrita os olhos
o barulho desvia a atenção
o trânsito tenso não flui
todos os sentimentos congestionados
o ar particulado que entra e sai de mim
o sol laranja redondo colorindo o mundo
o efeito estufa e o ar quente
estrelas pipocando aqui e ali e acolá
música e perfume sedutores demais
o ar quente e parado sobre nós
é esse o nosso momento
chegamos ao abismo
e tudo já é quase noite ao redor
o entardecer se despediu
é quase noite e a garoa chega
doce e suave e úmida
atravessa nossos corpos como nada
faz doer a pele e os ossos
corrói a alma e os sonhos
cega os olhos e o pensamento
molha lentamente até encharcar
6 de dezembro de 1998
vai tudo acabar assim então...
boa noite , noite !
terça-feira, 30 de setembro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA POBRE
dos tempos de infância
e de pobreza ardendo na pele
restam somente lembranças pudicas
das surras com vara de goiabeira
nas feridas ainda não curadas
e a saudade dos desenhos rabiscados
com negros tocos do carvão de pinheiros
sobre a superfície irregular das paredes
das casas geminadas caiadas em branco
branco do barro da bica
de água limpa de tomar na mão
transparente de ver os alevinos
flutuando sem céu e sem chão
feito os anjos da minha imaginação.
e de pobreza ardendo na pele
restam somente lembranças pudicas
das surras com vara de goiabeira
nas feridas ainda não curadas
e a saudade dos desenhos rabiscados
com negros tocos do carvão de pinheiros
sobre a superfície irregular das paredes
das casas geminadas caiadas em branco
branco do barro da bica
de água limpa de tomar na mão
transparente de ver os alevinos
flutuando sem céu e sem chão
feito os anjos da minha imaginação.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
COMO UMA MÚSICA DO PLACEBO 1 - para Sinei
vou me esquecer dos seus defeitos
não vou mais usar suas frases feitas
vou deixar a raiva partir de mim
pois de que adianta tanto desafeto
de que adianta dizer não
quando eu e somente eu
queria roubar de volta do esquecimento
tudo aquilo que senti por você
tudo aquilo que vivi com você
...sou um imundo
...mais um devasso
e ontem descobri que sem você
minha vida só vai ser outra vida
e qualquer lugar sem você
é apenas um lugar comum
ontem percebi
depois de muito relutar
que sem você não sou nada.
não vou mais usar suas frases feitas
vou deixar a raiva partir de mim
pois de que adianta tanto desafeto
de que adianta dizer não
quando eu e somente eu
queria roubar de volta do esquecimento
tudo aquilo que senti por você
tudo aquilo que vivi com você
...sou um imundo
...mais um devasso
e ontem descobri que sem você
minha vida só vai ser outra vida
e qualquer lugar sem você
é apenas um lugar comum
ontem percebi
depois de muito relutar
que sem você não sou nada.
COMO UMA MÚSICA DO PLACEBO 2 - para Sinei
estou me perdendo
nem me reconheço mais
nem nas coisas simples que antes fazia
não me vejo mais dentro dos meus olhos
estou me transformando num rascunho
de tudo que sonhei ou fiz ou vivi
me falta você
e as coisas tolas que você dizia
você me fazia respirar
e entender a razão das coisas
estou me perdendo
nem me reencontro mais nas lembranças
nem nas bebidas misturadas
nem nas sutilezas do cotidiano
você se foi
e eu desabei
e nem me reconstruo mais
nem quero
nem vou tentar
me falta você
sem você não sou nada.
nem me reconheço mais
nem nas coisas simples que antes fazia
não me vejo mais dentro dos meus olhos
estou me transformando num rascunho
de tudo que sonhei ou fiz ou vivi
me falta você
e as coisas tolas que você dizia
você me fazia respirar
e entender a razão das coisas
estou me perdendo
nem me reencontro mais nas lembranças
nem nas bebidas misturadas
nem nas sutilezas do cotidiano
você se foi
e eu desabei
e nem me reconstruo mais
nem quero
nem vou tentar
me falta você
sem você não sou nada.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
NO RIO DA COR DO SONHO
fui ver a madrugada
fugindo com a água do rio
vi um redemoinho de recordações
nem todas boas
nem todas ruins
perdendo-se nos cantos de barro pálido
barro nos tons pastéis
da água sem cor
aparentemente sem vida
escondendo tudo por baixo da espuma
do divino ao horrendo
do magnifico ao podre
e no turbilhão voráz
vi um relance de você
bêbado e perdido na noite
desacreditado da vida
por dentro e por fora
vazio de sonhos
e no limite da força
puxei a água e puxei você
pra junto do meu peito outra vez
o lugar sagrado
de onde nunca deveria ter saído.
fugindo com a água do rio
vi um redemoinho de recordações
nem todas boas
nem todas ruins
perdendo-se nos cantos de barro pálido
barro nos tons pastéis
da água sem cor
aparentemente sem vida
escondendo tudo por baixo da espuma
do divino ao horrendo
do magnifico ao podre
e no turbilhão voráz
vi um relance de você
bêbado e perdido na noite
desacreditado da vida
por dentro e por fora
vazio de sonhos
e no limite da força
puxei a água e puxei você
pra junto do meu peito outra vez
o lugar sagrado
de onde nunca deveria ter saído.
sábado, 6 de setembro de 2008
O CHORO NO DIA DO NASCIMENTO DOS ANJOS
os anjos todos
nascem das lágrimas das nuvens
cristalinas e afiadas ao cair
por um raivoso e tempestuoso
negro céu de abril
não digo da chuva
gota de chuva caindo
e lágrima evaporada na nuvem
não são iguais num céu azul
nem nunca serão assim
chuva é carinho sobre a terra
manso e necessário
choro de nuvem
é a expressão vingativa
peceptível nos olhos
nublados e ocultos e misteriosos
do seu imaginário violento.
nascem das lágrimas das nuvens
cristalinas e afiadas ao cair
por um raivoso e tempestuoso
negro céu de abril
não digo da chuva
gota de chuva caindo
e lágrima evaporada na nuvem
não são iguais num céu azul
nem nunca serão assim
chuva é carinho sobre a terra
manso e necessário
choro de nuvem
é a expressão vingativa
peceptível nos olhos
nublados e ocultos e misteriosos
do seu imaginário violento.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
SUPERMODELOS
queria chorar
como pessoa normal
sem ter minhas lágrimas
fervendo em minhas feridas
ácida nas membranas finas dos germes
corroendo rápidas uma vida
que se vive em ciclos de segundos
uma vida que nem chega a pertencer
vai embora
como um recorte
de modelos lindos
paralisados no tempo
de um milésimo de segundo
na capa de uma revista.
como pessoa normal
sem ter minhas lágrimas
fervendo em minhas feridas
ácida nas membranas finas dos germes
corroendo rápidas uma vida
que se vive em ciclos de segundos
uma vida que nem chega a pertencer
vai embora
como um recorte
de modelos lindos
paralisados no tempo
de um milésimo de segundo
na capa de uma revista.
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