domingo, 5 de abril de 2009

A MINHA CRENÇA

bonecas de voodoo espetadas no bambu
a água benta atirada a esmo
anjos querubins voando alto
defecando lá de cima
a cruz invertida enterrada no peito
medalhinhas e santinhos
distribuídos pelo maldito
a imagem do fogo queimando
lento e doloroso
orações e pedidos
maldições e blasfêmias
crença e heresia
o abençoado excomungado
o excomungado abençoado
pecados confessados ao herege
o anti-cristo perdoando
as novas tentações do criador
a minha crença...
a natureza
o postitivo e o negativo.

FOTORGASMOSSÍNTESE

a luz refletida em seus olhos
desperta em mim
toda a sede dos seus beijos
as flores desenhadas no colchão
com seus espinhos ingratos
arranham a pele das costas
ferem o corpo todo
e ainda asssim
me fazem querer você
mais ainda o seu sexo
e quando chega a noite
dentro da penumbra
já não controlo mais o desejo
já não sei mais quem sou
e a luz dos seus olhos
me faz lembrar dos contraceptivos
que nem sei onde estão
que nem sei se quero usar
basta-me o orgasmo.

MEMÓRIAS DE SETEMBROS

seguras
nem mesmo as memórias
elas também envelhecem
feito fotografias num álbum de couro
feito fotografias num mural de cortiça
feito fotografias num báu velho de vime
feito fotografias em seus porta-retratos

elas empalidecem
e são esquecidas
as memórias.

NOS BURACOS DO GUETO DELA

quem pariu o sol pela manhã?
onde ele se escondeu ao final do dia?

na viela
pegaram ela
bateram nela
arreganharam as pernas dela
e meteram o dedo sujo lá dentro
na ferida que sangra
e fere o ego dela
e para a beleza dela

volta no tempo cega
e entre barracos de tábuas
procura uma brecha de luz
que adormeçe
que desintegra
que reintegra

renasce
sem a volta a inocência
cresce a malícia
e agora no escuro
ela própria abre as pernas
e nos buracos todos
sente o prazer ferver

e sol se esconde e resurge
outra vez nos buracos do gueto.