beijos como um eclipse
escondendo
o Sol e a Terra e a Lua
escondendo
você e eu no escuro
pra sempre
beijos como uma faca
cortando profundamente nossos lábios
cortando línguas e peles
cortando almas como o perigo
quebrando dentes como a raiva
beijos como uma abelha atormentadora
brincando de jogos de esconde-esconde
procurando achados e perdidos
sonhando suas tristezas
perdendo-se fora da colméia
machucando bocas
curando dores.
domingo, 29 de novembro de 2009
A PRIMEIRA PENETRAÇÃO
disfarça o doce no ódio inútil
como a casca amarga da fruta ainda verde
amadurecendo lenta e ficando amarela
caindo na sombra sobre a árvore
apodrecendo o suco no fundo do dente
liberando e desencatando sementes
para a germinação na terra
para a transformação num novo amor
que exala na pele a essência de milhares de aromas
que escorre na pele a seiva em secreções
que faz a penetração da raiz
por entre um buraco e seus pêlos
e até o fundo de tudo
me promete amor eterno
e mente.
como a casca amarga da fruta ainda verde
amadurecendo lenta e ficando amarela
caindo na sombra sobre a árvore
apodrecendo o suco no fundo do dente
liberando e desencatando sementes
para a germinação na terra
para a transformação num novo amor
que exala na pele a essência de milhares de aromas
que escorre na pele a seiva em secreções
que faz a penetração da raiz
por entre um buraco e seus pêlos
e até o fundo de tudo
me promete amor eterno
e mente.
CÓPULA
viver em casal
é viver na solidão
é complicado dizer
mas eu não amaria você
o suficiente por você e por mim
é complicado dizer
mas eu não tenho mais
pequenas mentiras pra contar
me liberte
me liberte
me liberte.
é viver na solidão
é complicado dizer
mas eu não amaria você
o suficiente por você e por mim
é complicado dizer
mas eu não tenho mais
pequenas mentiras pra contar
me liberte
me liberte
me liberte.
domingo, 11 de outubro de 2009
F... 221
vi o amor e o terror em seus olhos
evaporando suas lágrimas de dor
nevoando suas luzes no horizonte
ruborizando seu firmamento pálido
em vermelhos surrealistas borrados
feito lábios vaginais entreabertos
que virginais me pedem:
devora-me
devora-me.
evaporando suas lágrimas de dor
nevoando suas luzes no horizonte
ruborizando seu firmamento pálido
em vermelhos surrealistas borrados
feito lábios vaginais entreabertos
que virginais me pedem:
devora-me
devora-me.
JUVENTUDE
essa é a ruptura entre emoção e razão
sem escândalo
sem sangramento
sem partilha
e sem dor
apenas a sensação de vazio
lembrando a perda de algo
...
quando se é muito jovem nada aterroriza
não importam feridas ou cicatrizes
tudo é passageiro
quando se é muito jovem o futuro não diz muito
nada é sério ou faz sentido
...
só Deus é sábio.
sem escândalo
sem sangramento
sem partilha
e sem dor
apenas a sensação de vazio
lembrando a perda de algo
...
quando se é muito jovem nada aterroriza
não importam feridas ou cicatrizes
tudo é passageiro
quando se é muito jovem o futuro não diz muito
nada é sério ou faz sentido
...
só Deus é sábio.
SOB MEDICAÇÃO
seus gritos e seus silêncios
como balões roxos de hélio
enchendo meus dias de dúvidas
...e se fosse
somente isentar-se das culpas
pra se acabarem todas as desculpas
como acabam as aspirinas todas
do seu pote de mágicos milagres
seus gritos e seus silêncios
como as orações pagãs diárias
inchando os meus pensamentos
de dor, de dor , de dor
...e se fosse
somente essa dor pungente
que abarrota os neurônios todos
desfazendo a conexão das coisas
...e se esquecer isso
fosse somente desligar e apagar
como se faz com as luzes
e com eletrodomésticos
ao fim do dia
ao fim do sexo
e ao fim do amor
na divisão dos restos.
como balões roxos de hélio
enchendo meus dias de dúvidas
...e se fosse
somente isentar-se das culpas
pra se acabarem todas as desculpas
como acabam as aspirinas todas
do seu pote de mágicos milagres
seus gritos e seus silêncios
como as orações pagãs diárias
inchando os meus pensamentos
de dor, de dor , de dor
...e se fosse
somente essa dor pungente
que abarrota os neurônios todos
desfazendo a conexão das coisas
...e se esquecer isso
fosse somente desligar e apagar
como se faz com as luzes
e com eletrodomésticos
ao fim do dia
ao fim do sexo
e ao fim do amor
na divisão dos restos.
O OUTRO LADO DAS COISAS
na verdade o céu não é lá no alto
chega-se a ele por uma escada
espiralada e descendente
rápida feito a morte
e
eu cheguei radiante
lábios pintados
fumando cigarro
no vestido vermelho da ex-mulher
primeiro vi Deus
jogando granizos na Terra
blasfemando contra o Diabo
e nomeando a cada um seu destino
e
ao me receber tão radiante
o firmamento claro , azul e branco
quebrou-se em cacos cortantes
revelando-me
o inferno em meu peito
intumescido de profanos amores
a minha vida de pecado
infeccionada de gozos ardentes
e
excomungaram-me dali
más meu corpo quase decomposto
pobre e pecador em sua plenitude
já havia metabolizado glicose
construído riboses
realizado osmoses
mitoses
e a própria gnose.
chega-se a ele por uma escada
espiralada e descendente
rápida feito a morte
e
eu cheguei radiante
lábios pintados
fumando cigarro
no vestido vermelho da ex-mulher
primeiro vi Deus
jogando granizos na Terra
blasfemando contra o Diabo
e nomeando a cada um seu destino
e
ao me receber tão radiante
o firmamento claro , azul e branco
quebrou-se em cacos cortantes
revelando-me
o inferno em meu peito
intumescido de profanos amores
a minha vida de pecado
infeccionada de gozos ardentes
e
excomungaram-me dali
más meu corpo quase decomposto
pobre e pecador em sua plenitude
já havia metabolizado glicose
construído riboses
realizado osmoses
mitoses
e a própria gnose.
DOCE PSICÓTICO
todas as suas secreções
todas as partes do seu corpo
o seu interior de camurça
e todos os seus sentidos
você é uma guloseima
sinto você de longe
seu cheiro
seu gosto
seu tudo
sou uma abelha
sou uma formiga
uma criança gulosa
faminta
insaciável
sempre querendo mais.
todas as partes do seu corpo
o seu interior de camurça
e todos os seus sentidos
você é uma guloseima
sinto você de longe
seu cheiro
seu gosto
seu tudo
sou uma abelha
sou uma formiga
uma criança gulosa
faminta
insaciável
sempre querendo mais.
DEIXE-SE TRAIR
mesmo fiel deixei partes do corpo à mostra
mesmo honesto soltei-lhe pequenas mentiras
mesmo obediente fugi para andar na praia
como viver assim?
como viver assim...
mesmo tão aprisionado e tão vigiado
deixei-me trair
na sombra em tudo
no reflexo em tudo
no desejo em tudo
do pequeno mundo ao meu redor.
mesmo honesto soltei-lhe pequenas mentiras
mesmo obediente fugi para andar na praia
como viver assim?
como viver assim...
mesmo tão aprisionado e tão vigiado
deixei-me trair
na sombra em tudo
no reflexo em tudo
no desejo em tudo
do pequeno mundo ao meu redor.
ESSA TIMIDEZ
toda minha timidez
traduziu-me
revelou-me
o mundo
e a vida
atravé dos sonhos
dos devaneios
e dos delírios.
traduziu-me
revelou-me
o mundo
e a vida
atravé dos sonhos
dos devaneios
e dos delírios.
CELEBRIDADE
havia um Armstrong caminhando na Lua
outro cantando sobre o mundo maravilhoso
e
a música pode parar
a Lua sumir
a vida e o destino
podem juntos conspirar
e nos trair
o amor pode acabar
e
até outro Armstrong surgir.
outro cantando sobre o mundo maravilhoso
e
a música pode parar
a Lua sumir
a vida e o destino
podem juntos conspirar
e nos trair
o amor pode acabar
e
até outro Armstrong surgir.
sábado, 10 de outubro de 2009
ISÓTOPOS
somos a mesma alma
somos o mesmo sonho
um desejo
uma religião
dois dividindo
os mesmos sangue e ossos
as mesmas carne e pele
os mesmos traços nas faces
marcando as mesmas vividas
dois corações batendo como um
duas pessoas agindo como uma.
somos o mesmo sonho
um desejo
uma religião
dois dividindo
os mesmos sangue e ossos
as mesmas carne e pele
os mesmos traços nas faces
marcando as mesmas vividas
dois corações batendo como um
duas pessoas agindo como uma.
domingo, 27 de setembro de 2009
PLUTÃO
se eu pudesse mergulhar na superfície dos dias
para descobrir o meu interior revelado em nada
nem a luz e nem o som e nem o calor
para descobrir-me frágil e efêmero
sem ter aprendido uma única palavra em francês
sem ter conhecido você outra vez
sem ter sido eu mesmo.
para descobrir o meu interior revelado em nada
nem a luz e nem o som e nem o calor
para descobrir-me frágil e efêmero
sem ter aprendido uma única palavra em francês
sem ter conhecido você outra vez
sem ter sido eu mesmo.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
ARDOR
palavras que me fazem chorar
gestos que me inibem
barba que espeta meus lábios
corpo que não respeita o meu
cheiro de suor que enoja o coração
o abraço que é o domínio total
o beijo que sela a submissão
mãos que machucam no toque
que dirá o carinho então
...a dor
a dor que você me causa
a dor que meu corpo sofre
a dor que meu coração absorve
a dor que minha pele metaboliza
a dor que minha mente processa
a dor que minha alma carrega
a dor que vivo
a dor , ardor , a dor
toda a dor do mundo em mim.
gestos que me inibem
barba que espeta meus lábios
corpo que não respeita o meu
cheiro de suor que enoja o coração
o abraço que é o domínio total
o beijo que sela a submissão
mãos que machucam no toque
que dirá o carinho então
...a dor
a dor que você me causa
a dor que meu corpo sofre
a dor que meu coração absorve
a dor que minha pele metaboliza
a dor que minha mente processa
a dor que minha alma carrega
a dor que vivo
a dor , ardor , a dor
toda a dor do mundo em mim.
terça-feira, 21 de julho de 2009
PERMUTA
o teu lábio beija o inseto
e este já acaricia tuas partes
seres vivos em troca mútua por carinho
seres vivos inseparáveis
uma relação simbiótica
e a procura pela procura
a procura pelo prazer
o prazer pelo prazer
e a penetração é consumida
o teu lábio abandona o inseto
e este retira-se de tuas carnes
inevitáveis separação e traição
e então voa longe longo vôo afora
louco visitando belos e imundos
e por aí distribuindo
infielmente o teu pólen
às outras tanto quanto pode
ao redor do mundo todo
essa diminuta parte tua
fecunda lentamente
no interior quente de cada uma
o desejo do despertar
germina sonhos específicos
todos latentes de vida
inertes sob solo escuro e infértil
bastando sorriso e carinho
para fazer florescer
no calor de um novo abraço
sob a luz de um novo olhar
um novo ser
um novo querer
e todos os desejos e necessidades de viver.
e este já acaricia tuas partes
seres vivos em troca mútua por carinho
seres vivos inseparáveis
uma relação simbiótica
e a procura pela procura
a procura pelo prazer
o prazer pelo prazer
e a penetração é consumida
o teu lábio abandona o inseto
e este retira-se de tuas carnes
inevitáveis separação e traição
e então voa longe longo vôo afora
louco visitando belos e imundos
e por aí distribuindo
infielmente o teu pólen
às outras tanto quanto pode
ao redor do mundo todo
essa diminuta parte tua
fecunda lentamente
no interior quente de cada uma
o desejo do despertar
germina sonhos específicos
todos latentes de vida
inertes sob solo escuro e infértil
bastando sorriso e carinho
para fazer florescer
no calor de um novo abraço
sob a luz de um novo olhar
um novo ser
um novo querer
e todos os desejos e necessidades de viver.
MERCÚRIO
não falo do astro errante
nem da toxicidade do elemento químico
não menciono nenhum deus
nem as lâmpadas nos postes públicos
penso em seus olhos
avermelhados e metálicos
afilados como em aves de rapina
atentos dentro do escuro
desejando me devorar.
nem da toxicidade do elemento químico
não menciono nenhum deus
nem as lâmpadas nos postes públicos
penso em seus olhos
avermelhados e metálicos
afilados como em aves de rapina
atentos dentro do escuro
desejando me devorar.
sábado, 18 de julho de 2009
AINDA DOENTE
mais que o Sol e a Lua e a Terra
minha alma projetada nas nuvens
eu
pensaria em você todos os dias da vida
e pensaria duas vezes nos dias especiais
eu adoeceria por você
...
agora
por favor
deixe me dormir para sempre.
minha alma projetada nas nuvens
eu
pensaria em você todos os dias da vida
e pensaria duas vezes nos dias especiais
eu adoeceria por você
...
agora
por favor
deixe me dormir para sempre.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
FADA MEDONHA
tem início o meu conto de fadas
onde
incorporo a Cinderela Profissional
ou a Bela Adormecida Dopada até a morte
quem sabe a Branca de Neve Pervertida
nada é mágico
nada é trágico
tudo se recicla
feito novela na televisão...
fabuloso reino de faz-de-conta
onde
a guerra sempre se instala
meus príncipes nunca retornam
e os castelos são demolidos.
onde
incorporo a Cinderela Profissional
ou a Bela Adormecida Dopada até a morte
quem sabe a Branca de Neve Pervertida
nada é mágico
nada é trágico
tudo se recicla
feito novela na televisão...
fabuloso reino de faz-de-conta
onde
a guerra sempre se instala
meus príncipes nunca retornam
e os castelos são demolidos.
AÇÕES NATURAIS
do vento
às ondas
e às asas
que erguem e salvam
do duro impacto nos rochedos
a erosão
evitando
que seu coração
se transforme
em areia na praia.
às ondas
e às asas
que erguem e salvam
do duro impacto nos rochedos
a erosão
evitando
que seu coração
se transforme
em areia na praia.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
A METAMORFOSE COMPLETA
larvas de mariposas
comendo os pontos dos fios de lã
do seu casaco vermelho de inverno
desfazendo a trama toda do tricô
revelando o peito nu e dolorido
revelando a verdade
larvas de mariposas
devorando as letras das páginas
do seu livro de contos favoritos
desfazendo a trama toda da farsa
revelando o peito nu esfaqueado
revelando a verdade
larvas de mariposas
de ovos perdidos no limbo agora
encasuladas nas íris dos seus olhos
desfazendo a cor e os contornos
cegando o resto de uma vida toda
revelando o nada.
comendo os pontos dos fios de lã
do seu casaco vermelho de inverno
desfazendo a trama toda do tricô
revelando o peito nu e dolorido
revelando a verdade
larvas de mariposas
devorando as letras das páginas
do seu livro de contos favoritos
desfazendo a trama toda da farsa
revelando o peito nu esfaqueado
revelando a verdade
larvas de mariposas
de ovos perdidos no limbo agora
encasuladas nas íris dos seus olhos
desfazendo a cor e os contornos
cegando o resto de uma vida toda
revelando o nada.
domingo, 5 de abril de 2009
A MINHA CRENÇA
bonecas de voodoo espetadas no bambu
a água benta atirada a esmo
anjos querubins voando alto
defecando lá de cima
a cruz invertida enterrada no peito
medalhinhas e santinhos
distribuídos pelo maldito
a imagem do fogo queimando
lento e doloroso
orações e pedidos
maldições e blasfêmias
crença e heresia
o abençoado excomungado
o excomungado abençoado
pecados confessados ao herege
o anti-cristo perdoando
as novas tentações do criador
a minha crença...
a natureza
o postitivo e o negativo.
a água benta atirada a esmo
anjos querubins voando alto
defecando lá de cima
a cruz invertida enterrada no peito
medalhinhas e santinhos
distribuídos pelo maldito
a imagem do fogo queimando
lento e doloroso
orações e pedidos
maldições e blasfêmias
crença e heresia
o abençoado excomungado
o excomungado abençoado
pecados confessados ao herege
o anti-cristo perdoando
as novas tentações do criador
a minha crença...
a natureza
o postitivo e o negativo.
FOTORGASMOSSÍNTESE
a luz refletida em seus olhos
desperta em mim
toda a sede dos seus beijos
as flores desenhadas no colchão
com seus espinhos ingratos
arranham a pele das costas
ferem o corpo todo
e ainda asssim
me fazem querer você
mais ainda o seu sexo
e quando chega a noite
dentro da penumbra
já não controlo mais o desejo
já não sei mais quem sou
e a luz dos seus olhos
me faz lembrar dos contraceptivos
que nem sei onde estão
que nem sei se quero usar
basta-me o orgasmo.
desperta em mim
toda a sede dos seus beijos
as flores desenhadas no colchão
com seus espinhos ingratos
arranham a pele das costas
ferem o corpo todo
e ainda asssim
me fazem querer você
mais ainda o seu sexo
e quando chega a noite
dentro da penumbra
já não controlo mais o desejo
já não sei mais quem sou
e a luz dos seus olhos
me faz lembrar dos contraceptivos
que nem sei onde estão
que nem sei se quero usar
basta-me o orgasmo.
MEMÓRIAS DE SETEMBROS
seguras
nem mesmo as memórias
elas também envelhecem
feito fotografias num álbum de couro
feito fotografias num mural de cortiça
feito fotografias num báu velho de vime
feito fotografias em seus porta-retratos
elas empalidecem
e são esquecidas
as memórias.
nem mesmo as memórias
elas também envelhecem
feito fotografias num álbum de couro
feito fotografias num mural de cortiça
feito fotografias num báu velho de vime
feito fotografias em seus porta-retratos
elas empalidecem
e são esquecidas
as memórias.
NOS BURACOS DO GUETO DELA
quem pariu o sol pela manhã?
onde ele se escondeu ao final do dia?
na viela
pegaram ela
bateram nela
arreganharam as pernas dela
e meteram o dedo sujo lá dentro
na ferida que sangra
e fere o ego dela
e para a beleza dela
volta no tempo cega
e entre barracos de tábuas
procura uma brecha de luz
que adormeçe
que desintegra
que reintegra
renasce
sem a volta a inocência
cresce a malícia
e agora no escuro
ela própria abre as pernas
e nos buracos todos
sente o prazer ferver
e sol se esconde e resurge
outra vez nos buracos do gueto.
onde ele se escondeu ao final do dia?
na viela
pegaram ela
bateram nela
arreganharam as pernas dela
e meteram o dedo sujo lá dentro
na ferida que sangra
e fere o ego dela
e para a beleza dela
volta no tempo cega
e entre barracos de tábuas
procura uma brecha de luz
que adormeçe
que desintegra
que reintegra
renasce
sem a volta a inocência
cresce a malícia
e agora no escuro
ela própria abre as pernas
e nos buracos todos
sente o prazer ferver
e sol se esconde e resurge
outra vez nos buracos do gueto.
domingo, 29 de março de 2009
ALIVIANDO
a vida que conheço não existe mais
sinto tantas coisas ao mesmo tempo
que seria possível matar alguém
nem respiro...nem respiro
nem ouso pensar
nem ouso tentar
...já fui chamado de sonhador
e agora nem existo mais
antes que vá embora
me de definitivamente a paz
em um último beijo perfeito.
sinto tantas coisas ao mesmo tempo
que seria possível matar alguém
nem respiro...nem respiro
nem ouso pensar
nem ouso tentar
...já fui chamado de sonhador
e agora nem existo mais
antes que vá embora
me de definitivamente a paz
em um último beijo perfeito.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
RELATIVIDADE
olhar pra fora da janela
pra ver o outro lado do céu
e como ele sempre funciona...
é ter o peito todo partido
em trilhões de minúsculos pedaços
pulverizados nas nuvens
pesando no vapor de água
que cai em chuva ao redor
molha e nasce da terra em lama
a dor e a raiva em flor
dália negra-avermelhada...
é da tristeza pra cega esperança
pra dentro do seu novo coração
lentamente reconstruído
e
que nunca se dirá arrependido.
pra ver o outro lado do céu
e como ele sempre funciona...
é ter o peito todo partido
em trilhões de minúsculos pedaços
pulverizados nas nuvens
pesando no vapor de água
que cai em chuva ao redor
molha e nasce da terra em lama
a dor e a raiva em flor
dália negra-avermelhada...
é da tristeza pra cega esperança
pra dentro do seu novo coração
lentamente reconstruído
e
que nunca se dirá arrependido.
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