no coração
não tenho só a vida
não tenho só o amor
não tenho só você
o coração
é o centro do meu próprio mundo
é o meu sonho invisível
é todo o meu universo.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
A FÊNIX CAÍDA
da segunda vez que nasci
pra ver essse mundo azul
do sangue de uma virgem
pra carne e ossos reais
por amor abortei você
do pútrido e tenro pus
de sob as cascas escurecidas
das minhas feridas doloridas
maltratadas e não cuidadas
arroxeadas pelo tempo
vi o fantasma
e libertei-me de um pesadelo
de um gosto amargo de raiva no beijo
de uma dor constante nas entranhas
da incerteza e da dúvida
da contaminação de suas mentiras
da desilusão
e da vida com você.
pra ver essse mundo azul
do sangue de uma virgem
pra carne e ossos reais
por amor abortei você
do pútrido e tenro pus
de sob as cascas escurecidas
das minhas feridas doloridas
maltratadas e não cuidadas
arroxeadas pelo tempo
vi o fantasma
e libertei-me de um pesadelo
de um gosto amargo de raiva no beijo
de uma dor constante nas entranhas
da incerteza e da dúvida
da contaminação de suas mentiras
da desilusão
e da vida com você.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
SOB EFEITO DE FEROMÔNIOS
no completo escuro
sem nenhum filete de luz
minhas moléculas químicas
encharcam suas papilas gustativas
inflam seus recptores nasais
arrepiam todos os seus pêlos
e aos montes
seus neurotransmissores doidos
chegam rápidos e ávidos
a massa cinzenta do seu cérebro
onde neurônios adormecidos
fazem a seu modo
a leitura mais desejada de mim.
sem nenhum filete de luz
minhas moléculas químicas
encharcam suas papilas gustativas
inflam seus recptores nasais
arrepiam todos os seus pêlos
e aos montes
seus neurotransmissores doidos
chegam rápidos e ávidos
a massa cinzenta do seu cérebro
onde neurônios adormecidos
fazem a seu modo
a leitura mais desejada de mim.
PERFEITA TENTAÇÃO
devorando a espuma em seu beijo perfeito
comendo o doce que sobra no canto dos lábios
testanto as suas milhares de papilas gustativas
a minha língua conversa em silêncio com a sua
tateiam-se no escuro cavernoso da sua boca
vigiadas e guardadas por dentes agressivos
e a ausência da necessidades de palavras
só o desejo e a saliva lubrificante ativa
desliza o tesão sobre a superfície aspera
empurra e alisa e atenua o sofrimento
quando tudo se permite a entrada mansa
quando se encontra a perfeita tentação.
comendo o doce que sobra no canto dos lábios
testanto as suas milhares de papilas gustativas
a minha língua conversa em silêncio com a sua
tateiam-se no escuro cavernoso da sua boca
vigiadas e guardadas por dentes agressivos
e a ausência da necessidades de palavras
só o desejo e a saliva lubrificante ativa
desliza o tesão sobre a superfície aspera
empurra e alisa e atenua o sofrimento
quando tudo se permite a entrada mansa
quando se encontra a perfeita tentação.
BIZARRO
três lados
você me beija
eu beijo ele
ele beija você
três vértices
unidos na cama
somos uma só figura
mesmo que tudo se inverta
entre nós tudo se encaixa
nada sobra
nada falta
no nosso quebra cabeças
todas as peças participam
todas as peças brincam
tudo interage
tudo reage
tudo é o todo
e o nada.
você me beija
eu beijo ele
ele beija você
três vértices
unidos na cama
somos uma só figura
mesmo que tudo se inverta
entre nós tudo se encaixa
nada sobra
nada falta
no nosso quebra cabeças
todas as peças participam
todas as peças brincam
tudo interage
tudo reage
tudo é o todo
e o nada.
domingo, 16 de novembro de 2008
PROFILAXIA
psicossomático e sintomático
virulento e sem prevenção
periculosidade infinita
contamina a alma
corrói as entranhas
...
patológico e patogênico
é o amor.
virulento e sem prevenção
periculosidade infinita
contamina a alma
corrói as entranhas
...
patológico e patogênico
é o amor.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
FÚCSIA
sou minha própria escolha
não sou o sonho
não sou mais vida
nem me sinto
sou só um leve sopro
morno na face de deus
refrescante nas costas do diabo
a heresia
sou sem ser o nada
e nunca fui
ou quiz ser o tudo
não tenho alma
só o vazio
e o vazio me preenche
o vazio me resta
o vazio me suporta
não tenho mais identidade
sou minha própria escolha.
não sou o sonho
não sou mais vida
nem me sinto
sou só um leve sopro
morno na face de deus
refrescante nas costas do diabo
a heresia
sou sem ser o nada
e nunca fui
ou quiz ser o tudo
não tenho alma
só o vazio
e o vazio me preenche
o vazio me resta
o vazio me suporta
não tenho mais identidade
sou minha própria escolha.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
TRÊS
seus olhos
tem na parte colorida
a cor mais linda que já vi
cintilantes no escuro
todas as cores eles refletem
ofuscando o dia
enquanto me observam
todo o brilho do sol cabe neles
seus olhos
mais intrigantes que a noite
todas as emoções expressam
todos os desejos revelam
todos os sonhos entregam
fogem quando se fecham
só pra mim
só por mim
esverdeados você diz
mar cor de jade eu acho
mergulho e me perco e me afogo
me salva
me salva
me desassossega.
tem na parte colorida
a cor mais linda que já vi
cintilantes no escuro
todas as cores eles refletem
ofuscando o dia
enquanto me observam
todo o brilho do sol cabe neles
seus olhos
mais intrigantes que a noite
todas as emoções expressam
todos os desejos revelam
todos os sonhos entregam
fogem quando se fecham
só pra mim
só por mim
esverdeados você diz
mar cor de jade eu acho
mergulho e me perco e me afogo
me salva
me salva
me desassossega.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
TAXI-GIRL
se eu soubesse o que era o seu amor
não teria imitado as fadas lilases
flertando de flor em flor
saboreando as sensações orgânicas
a textura e o sabor
o perfume e a cor
a visão e o som e o amor
o prazer escondido na dor
se eu soubesse o que era o seu amor
não teria imitado as fadas lilases
fingindo como taxi-girls
na madrugada do jardim escuro
recebendo centavos de luar
para dançar com elfos
e tantas outras criaturas mágicas
bêbadas de gotas de orvalho
se eu soubesse o que era o seu amor
teria fugido antes mesmo de começar
teria me perdido antes mesmo de amar
teria vagado por ai
até a noite me esquecer.
não teria imitado as fadas lilases
flertando de flor em flor
saboreando as sensações orgânicas
a textura e o sabor
o perfume e a cor
a visão e o som e o amor
o prazer escondido na dor
se eu soubesse o que era o seu amor
não teria imitado as fadas lilases
fingindo como taxi-girls
na madrugada do jardim escuro
recebendo centavos de luar
para dançar com elfos
e tantas outras criaturas mágicas
bêbadas de gotas de orvalho
se eu soubesse o que era o seu amor
teria fugido antes mesmo de começar
teria me perdido antes mesmo de amar
teria vagado por ai
até a noite me esquecer.
sábado, 18 de outubro de 2008
BEIJOS
beijos disléxicos
que contam tudo errado ao pé da orelha
e espalham a confusão...
beijos de cego
de um mundo triste e sem nexo
a vida sem sexo...
beijos sem afeto
que deixam marcas violentas na pele
hematomas eternos...
beijos que matam
os beijos da mulher aranha.
que contam tudo errado ao pé da orelha
e espalham a confusão...
beijos de cego
de um mundo triste e sem nexo
a vida sem sexo...
beijos sem afeto
que deixam marcas violentas na pele
hematomas eternos...
beijos que matam
os beijos da mulher aranha.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
OS DIAS
numa dessas noites sem fim
e enquanto ainda dormiam
um beijou as costas do outro
num lugar escondido demais
num lugar proibido demais
bem próximo das nádegas
despertando assim
um outro dia sem fim.
e enquanto ainda dormiam
um beijou as costas do outro
num lugar escondido demais
num lugar proibido demais
bem próximo das nádegas
despertando assim
um outro dia sem fim.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
CARTOMANTE
aprendi a ler corações e mentes
e os seus sinais todos
pra poder sempre saber
o que se passa nessa sua vida
o que acontece nesses seus dias
a quantas anda o nosso amor.
e os seus sinais todos
pra poder sempre saber
o que se passa nessa sua vida
o que acontece nesses seus dias
a quantas anda o nosso amor.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
ELIZ-A-BETHE
ela habitava Escorpião
Antares era seu coração
eu era nativo de Hidra
me afogava em chuvas de lágrimas
e nossa comunicação
na poeira dos cometas
e nossa união
nos riscos das estrelas cadentes
as nossas trocas de versos e confidências
eram nossas e eficientes
um dia ela desapareceu
nem sei pra onde e porque
porém sua luz ainda está aqui
mesmo que um pequeno vestígio
afinal a luz viaja rápida
e a luz se perde sempre
e a luz se acha sempre
na própria luz
no escuro
e nos seus olhos
e nas minhas lembranças.
Antares era seu coração
eu era nativo de Hidra
me afogava em chuvas de lágrimas
e nossa comunicação
na poeira dos cometas
e nossa união
nos riscos das estrelas cadentes
as nossas trocas de versos e confidências
eram nossas e eficientes
um dia ela desapareceu
nem sei pra onde e porque
porém sua luz ainda está aqui
mesmo que um pequeno vestígio
afinal a luz viaja rápida
e a luz se perde sempre
e a luz se acha sempre
na própria luz
no escuro
e nos seus olhos
e nas minhas lembranças.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
OS ESTRAGOS PERMANENTES
no escuro pleno
arquiteto a ereção do seu monólito
me excita a visão das possibilidades
e as esperanças de um mundo novo
empacotadas nos seus espermatozóides
me viro de lado permitindo a sua entrada
na força bruta violenta-me
desbrava as minhas cavidades todas
desfaz-se comigo no meu momento
corpos e desejos e corações são os mesmos
afinal não há diferenças
no escuro pleno
...corpos descansam cansados
e a magia está feita:
o estrago não tem fim
o fim não tem volta
o monólito tomba inerte
e mais uma vez
sem acender as luzes
dou-lhe as costas.
arquiteto a ereção do seu monólito
me excita a visão das possibilidades
e as esperanças de um mundo novo
empacotadas nos seus espermatozóides
me viro de lado permitindo a sua entrada
na força bruta violenta-me
desbrava as minhas cavidades todas
desfaz-se comigo no meu momento
corpos e desejos e corações são os mesmos
afinal não há diferenças
no escuro pleno
...corpos descansam cansados
e a magia está feita:
o estrago não tem fim
o fim não tem volta
o monólito tomba inerte
e mais uma vez
sem acender as luzes
dou-lhe as costas.
EM SEGURANÇA
escravo de corpos celestiais e rostos bonitos
escravo de preservativos elásticos e viagra
escravo de pílulas multicoloridas pra dormir
escravo de eterna situação de baixa imunidade
escravo de picos de alto e baixo humores
e estágios variáveis de temperatura
e ataques histéricos de loucura
vendo fagulhas explodindo ao redor
escravo da febre intensa que nunca abaixa
escravo de prática sexual monótona e solitária
escravo de insasiedade sem fim
escravo do álcool e seus efeitos tolos
correndo com algo estranho pelas veias
tornado o sangue uma ameaça
à própria vida do seu corpo
escravo de uma segurança virtual
um estado constantemente mutável
e escravo da própria escolha.
escravo de preservativos elásticos e viagra
escravo de pílulas multicoloridas pra dormir
escravo de eterna situação de baixa imunidade
escravo de picos de alto e baixo humores
e estágios variáveis de temperatura
e ataques histéricos de loucura
vendo fagulhas explodindo ao redor
escravo da febre intensa que nunca abaixa
escravo de prática sexual monótona e solitária
escravo de insasiedade sem fim
escravo do álcool e seus efeitos tolos
correndo com algo estranho pelas veias
tornado o sangue uma ameaça
à própria vida do seu corpo
escravo de uma segurança virtual
um estado constantemente mutável
e escravo da própria escolha.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
SÃO PAULO 6/12/1998 (ENTARDECER)
o entardecer se despede
triste chega a escuridão
tristes seus olhos procuram os meus
...não há razão pra ser assim
tão desejado e tão proibido
de acontecimentos e encontros ocultos
um segredo secreto...o tabu
o entardecer se despede
triste toco seu rosto triste
não correm mais lágrimas nele
viajamos por todas nossas lembranças
fascinante mundo do faz-de-conta
faz-de-conta que é só amor
faz-de-conta é só mais um fim
são paulo
6 de dezembro de 1998
a poluição irrrita os olhos
o barulho desvia a atenção
o trânsito tenso não flui
todos os sentimentos congestionados
o ar particulado que entra e sai de mim
o sol laranja redondo colorindo o mundo
o efeito estufa e o ar quente
estrelas pipocando aqui e ali e acolá
música e perfume sedutores demais
o ar quente e parado sobre nós
é esse o nosso momento
chegamos ao abismo
e tudo já é quase noite ao redor
o entardecer se despediu
é quase noite e a garoa chega
doce e suave e úmida
atravessa nossos corpos como nada
faz doer a pele e os ossos
corrói a alma e os sonhos
cega os olhos e o pensamento
molha lentamente até encharcar
6 de dezembro de 1998
vai tudo acabar assim então...
boa noite , noite !
triste chega a escuridão
tristes seus olhos procuram os meus
...não há razão pra ser assim
tão desejado e tão proibido
de acontecimentos e encontros ocultos
um segredo secreto...o tabu
o entardecer se despede
triste toco seu rosto triste
não correm mais lágrimas nele
viajamos por todas nossas lembranças
fascinante mundo do faz-de-conta
faz-de-conta que é só amor
faz-de-conta é só mais um fim
são paulo
6 de dezembro de 1998
a poluição irrrita os olhos
o barulho desvia a atenção
o trânsito tenso não flui
todos os sentimentos congestionados
o ar particulado que entra e sai de mim
o sol laranja redondo colorindo o mundo
o efeito estufa e o ar quente
estrelas pipocando aqui e ali e acolá
música e perfume sedutores demais
o ar quente e parado sobre nós
é esse o nosso momento
chegamos ao abismo
e tudo já é quase noite ao redor
o entardecer se despediu
é quase noite e a garoa chega
doce e suave e úmida
atravessa nossos corpos como nada
faz doer a pele e os ossos
corrói a alma e os sonhos
cega os olhos e o pensamento
molha lentamente até encharcar
6 de dezembro de 1998
vai tudo acabar assim então...
boa noite , noite !
domingo, 28 de setembro de 2008
LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA POBRE
dos tempos de infância
e de pobreza ardendo na pele
restam somente lembranças pudicas
das surras com vara de goiabeira
nas feridas ainda não curadas
e a saudade dos desenhos rabiscados
com negros tocos do carvão de pinheiros
sobre a superfície irregular das paredes
das casas geminadas caiadas em branco
branco do barro da bica
de água limpa de tomar na mão
transparente de ver os alevinos
flutuando sem céu e sem chão
feito os anjos da minha imaginação.
e de pobreza ardendo na pele
restam somente lembranças pudicas
das surras com vara de goiabeira
nas feridas ainda não curadas
e a saudade dos desenhos rabiscados
com negros tocos do carvão de pinheiros
sobre a superfície irregular das paredes
das casas geminadas caiadas em branco
branco do barro da bica
de água limpa de tomar na mão
transparente de ver os alevinos
flutuando sem céu e sem chão
feito os anjos da minha imaginação.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
COMO UMA MÚSICA DO PLACEBO 1 - para Sinei
vou me esquecer dos seus defeitos
não vou mais usar suas frases feitas
vou deixar a raiva partir de mim
pois de que adianta tanto desafeto
de que adianta dizer não
quando eu e somente eu
queria roubar de volta do esquecimento
tudo aquilo que senti por você
tudo aquilo que vivi com você
...sou um imundo
...mais um devasso
e ontem descobri que sem você
minha vida só vai ser outra vida
e qualquer lugar sem você
é apenas um lugar comum
ontem percebi
depois de muito relutar
que sem você não sou nada.
não vou mais usar suas frases feitas
vou deixar a raiva partir de mim
pois de que adianta tanto desafeto
de que adianta dizer não
quando eu e somente eu
queria roubar de volta do esquecimento
tudo aquilo que senti por você
tudo aquilo que vivi com você
...sou um imundo
...mais um devasso
e ontem descobri que sem você
minha vida só vai ser outra vida
e qualquer lugar sem você
é apenas um lugar comum
ontem percebi
depois de muito relutar
que sem você não sou nada.
COMO UMA MÚSICA DO PLACEBO 2 - para Sinei
estou me perdendo
nem me reconheço mais
nem nas coisas simples que antes fazia
não me vejo mais dentro dos meus olhos
estou me transformando num rascunho
de tudo que sonhei ou fiz ou vivi
me falta você
e as coisas tolas que você dizia
você me fazia respirar
e entender a razão das coisas
estou me perdendo
nem me reencontro mais nas lembranças
nem nas bebidas misturadas
nem nas sutilezas do cotidiano
você se foi
e eu desabei
e nem me reconstruo mais
nem quero
nem vou tentar
me falta você
sem você não sou nada.
nem me reconheço mais
nem nas coisas simples que antes fazia
não me vejo mais dentro dos meus olhos
estou me transformando num rascunho
de tudo que sonhei ou fiz ou vivi
me falta você
e as coisas tolas que você dizia
você me fazia respirar
e entender a razão das coisas
estou me perdendo
nem me reencontro mais nas lembranças
nem nas bebidas misturadas
nem nas sutilezas do cotidiano
você se foi
e eu desabei
e nem me reconstruo mais
nem quero
nem vou tentar
me falta você
sem você não sou nada.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
NO RIO DA COR DO SONHO
fui ver a madrugada
fugindo com a água do rio
vi um redemoinho de recordações
nem todas boas
nem todas ruins
perdendo-se nos cantos de barro pálido
barro nos tons pastéis
da água sem cor
aparentemente sem vida
escondendo tudo por baixo da espuma
do divino ao horrendo
do magnifico ao podre
e no turbilhão voráz
vi um relance de você
bêbado e perdido na noite
desacreditado da vida
por dentro e por fora
vazio de sonhos
e no limite da força
puxei a água e puxei você
pra junto do meu peito outra vez
o lugar sagrado
de onde nunca deveria ter saído.
fugindo com a água do rio
vi um redemoinho de recordações
nem todas boas
nem todas ruins
perdendo-se nos cantos de barro pálido
barro nos tons pastéis
da água sem cor
aparentemente sem vida
escondendo tudo por baixo da espuma
do divino ao horrendo
do magnifico ao podre
e no turbilhão voráz
vi um relance de você
bêbado e perdido na noite
desacreditado da vida
por dentro e por fora
vazio de sonhos
e no limite da força
puxei a água e puxei você
pra junto do meu peito outra vez
o lugar sagrado
de onde nunca deveria ter saído.
sábado, 6 de setembro de 2008
O CHORO NO DIA DO NASCIMENTO DOS ANJOS
os anjos todos
nascem das lágrimas das nuvens
cristalinas e afiadas ao cair
por um raivoso e tempestuoso
negro céu de abril
não digo da chuva
gota de chuva caindo
e lágrima evaporada na nuvem
não são iguais num céu azul
nem nunca serão assim
chuva é carinho sobre a terra
manso e necessário
choro de nuvem
é a expressão vingativa
peceptível nos olhos
nublados e ocultos e misteriosos
do seu imaginário violento.
nascem das lágrimas das nuvens
cristalinas e afiadas ao cair
por um raivoso e tempestuoso
negro céu de abril
não digo da chuva
gota de chuva caindo
e lágrima evaporada na nuvem
não são iguais num céu azul
nem nunca serão assim
chuva é carinho sobre a terra
manso e necessário
choro de nuvem
é a expressão vingativa
peceptível nos olhos
nublados e ocultos e misteriosos
do seu imaginário violento.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
SUPERMODELOS
queria chorar
como pessoa normal
sem ter minhas lágrimas
fervendo em minhas feridas
ácida nas membranas finas dos germes
corroendo rápidas uma vida
que se vive em ciclos de segundos
uma vida que nem chega a pertencer
vai embora
como um recorte
de modelos lindos
paralisados no tempo
de um milésimo de segundo
na capa de uma revista.
como pessoa normal
sem ter minhas lágrimas
fervendo em minhas feridas
ácida nas membranas finas dos germes
corroendo rápidas uma vida
que se vive em ciclos de segundos
uma vida que nem chega a pertencer
vai embora
como um recorte
de modelos lindos
paralisados no tempo
de um milésimo de segundo
na capa de uma revista.
domingo, 24 de agosto de 2008
ANVERSO
você
acorda e anima o monstro
joga com as regras do jogo
e quebra o brinquedo
você
perde as peças
perde o momento
zera os pontos
você
e suas meias verdades
com suas mentiras inteiras
estressa a máquina
você
irrita e adormece o monstro.
acorda e anima o monstro
joga com as regras do jogo
e quebra o brinquedo
você
perde as peças
perde o momento
zera os pontos
você
e suas meias verdades
com suas mentiras inteiras
estressa a máquina
você
irrita e adormece o monstro.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
A SÍNDROME
tem dias que se parecem com ontem
tem uns que nem se esquece
outros se perdem na sequência
só mais um dia
só mais uma marca no calendário
e outra frustração no currículo
e a luz negra dos seus olhos chega
pra colorir a noite escura
em vermelho mercúrio vivo
e em outras cores brilhantes
me cega a mente
me tira a última luz
me abadone cego
me cegue
não quero ver outro dia nascer.
tem uns que nem se esquece
outros se perdem na sequência
só mais um dia
só mais uma marca no calendário
e outra frustração no currículo
e a luz negra dos seus olhos chega
pra colorir a noite escura
em vermelho mercúrio vivo
e em outras cores brilhantes
me cega a mente
me tira a última luz
me abadone cego
me cegue
não quero ver outro dia nascer.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
O PRIMEIRO ERRO
sei que é errado
entretanto minto
manipulo a verdade
escondo os fatos
sou dissimulado
mais que o normal
só pra ver você feliz.
entretanto minto
manipulo a verdade
escondo os fatos
sou dissimulado
mais que o normal
só pra ver você feliz.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
PRA NÃO VOLTAR
se lembro o cheiro da sua pele cansada de amor
vejo as marcas dos seus dentes em mim
se lembro o seu riso perdido em prazeres
percebo o seu último suspiro solto no ar
e sinto a dor da mordida no meu sonho
que me acorda e me expõe na cama
ainda um fruto não maduro
amargo e verde violado
de superfície trincada pela força
se tenho o vazio me pagiando
é pelo tempo que me dou para sentir
em mim mesmo toda a dor e todo o tesão
se tenho o receio me perseguindo
é pelo medo de não ter você outra vez
e não sentir tudo isso
se tenho essa vontade revirando aqui dentro
desisto e volto a chamar
por um nome que ainda nem conheço
por um rosto que só o escuro me mostrou
se tenho você aqui e agora
não vou nem mais querer desistir da vida
não vou nem mais querer ser eu mesmo
só pra ser seu
sempre seu
sempre seu
e ser assim um ente submisso
todo seu
todo seu.
vejo as marcas dos seus dentes em mim
se lembro o seu riso perdido em prazeres
percebo o seu último suspiro solto no ar
e sinto a dor da mordida no meu sonho
que me acorda e me expõe na cama
ainda um fruto não maduro
amargo e verde violado
de superfície trincada pela força
se tenho o vazio me pagiando
é pelo tempo que me dou para sentir
em mim mesmo toda a dor e todo o tesão
se tenho o receio me perseguindo
é pelo medo de não ter você outra vez
e não sentir tudo isso
se tenho essa vontade revirando aqui dentro
desisto e volto a chamar
por um nome que ainda nem conheço
por um rosto que só o escuro me mostrou
se tenho você aqui e agora
não vou nem mais querer desistir da vida
não vou nem mais querer ser eu mesmo
só pra ser seu
sempre seu
sempre seu
e ser assim um ente submisso
todo seu
todo seu.
domingo, 10 de agosto de 2008
O PÁSSARO ORIGAMI
ela tinha papel nas mãos
de todas as cores possíveis nesse mundo
e de repente
em movimentos de rápida delicadeza
não sei de qual magia ela usou
não percebi quais vincos marcou
foi tudo tão inebriante
que o papel transformou-se
num pássaro mitológico
brilhante e ágil e veloz
solitário
que singrava os ares
e vinha de bem longe
terras do sol
poente ou nascente
nascente ou poente
latente
e fugia pra algum lugar
que já nem sei mais onde
dizia-se aos cantos todos do mundo
repetia-se em todas as línguas e dialetos
que era lindo de se ver
que era a nova explosão do cosmo
e de repente
outro inexplicável movimento de dobradura
ou outra magia qualquer
e ela enjaulou o pássaro
triste e trágico e melancólico
solitário
era a nova fênix
a renascer
dentro de um coração.
de todas as cores possíveis nesse mundo
e de repente
em movimentos de rápida delicadeza
não sei de qual magia ela usou
não percebi quais vincos marcou
foi tudo tão inebriante
que o papel transformou-se
num pássaro mitológico
brilhante e ágil e veloz
solitário
que singrava os ares
e vinha de bem longe
terras do sol
poente ou nascente
nascente ou poente
latente
e fugia pra algum lugar
que já nem sei mais onde
dizia-se aos cantos todos do mundo
repetia-se em todas as línguas e dialetos
que era lindo de se ver
que era a nova explosão do cosmo
e de repente
outro inexplicável movimento de dobradura
ou outra magia qualquer
e ela enjaulou o pássaro
triste e trágico e melancólico
solitário
era a nova fênix
a renascer
dentro de um coração.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
COMPASSO
sonetos pra provocar risos aos corpos unidos
a língua doida que enlouquece o pé do ouvido
sussurros que envergonham a sua face desnuda
de maquiagem e de medos e de ansiedades
não foge de mim a vontade dos seus líquidos
não há em mim a recusa dos seus vícios
não reage a resposta negativa em nada
nunca é não...nunca é não...nunca
canta a música que arrebenta meu peito
infecciona todo e dói de amor
gira o kama sutra todo em posições
com prazeres que arrebentam meus interiores
envenena o abissinto num verde esverdeado
turvando minha visão já irreal
é o romantismo dos séculos passados
as doenças de Vênus todas esquecidas
o meu piolho que foge para o seu cabelo
más é você que entoa e dá ritmo a balada.
a língua doida que enlouquece o pé do ouvido
sussurros que envergonham a sua face desnuda
de maquiagem e de medos e de ansiedades
não foge de mim a vontade dos seus líquidos
não há em mim a recusa dos seus vícios
não reage a resposta negativa em nada
nunca é não...nunca é não...nunca
canta a música que arrebenta meu peito
infecciona todo e dói de amor
gira o kama sutra todo em posições
com prazeres que arrebentam meus interiores
envenena o abissinto num verde esverdeado
turvando minha visão já irreal
é o romantismo dos séculos passados
as doenças de Vênus todas esquecidas
o meu piolho que foge para o seu cabelo
más é você que entoa e dá ritmo a balada.
TODA FLOR
toda flor tem um perfume
toda flor tem uma cor
e fundo na sua beleza
um feitiço para o amor
toda flor tem uma abelha
e também um beija-flor
no seu miolo o mistério
polinizador para o amor
toda flor tem sua dor
disfarçada no seu prazer
ambíguo e sadista
carnívoro às vezes
toda flor um dia ama
e floresce um jardim.
toda flor tem uma cor
e fundo na sua beleza
um feitiço para o amor
toda flor tem uma abelha
e também um beija-flor
no seu miolo o mistério
polinizador para o amor
toda flor tem sua dor
disfarçada no seu prazer
ambíguo e sadista
carnívoro às vezes
toda flor um dia ama
e floresce um jardim.
O HEDONISTA
onde encontrar agora
as plantas que curam a tristeza
ou quem sabe
uma reza
ou um unguento
um amuleto ou uma pedra
ou ainda um escapulário
contra a dor que tenho no peito?
como parar a vida
sem ter antes que morrer
pra consertar as coisas erradas que fiz
ou arrepender-me das mentiras que contei
pra recuperar os amores que perdi
ou desculpar-me das pessoas que iludi?
...não me lembro
é muito raro me lembrar
e quando lembro-me
logo esqueço
logo desisto
...deve haver um chá
ou uma vacina
pra combater essa minha falta de pudor
deve haver um remédio
pra esse egoísmo e crueldade aqui dentro
deve haver um veneno
na flor ou na serpente ou num novo beijo
e na poeira sobre os móveis largados
deve haver a esperança
e o recomeço.
as plantas que curam a tristeza
ou quem sabe
uma reza
ou um unguento
um amuleto ou uma pedra
ou ainda um escapulário
contra a dor que tenho no peito?
como parar a vida
sem ter antes que morrer
pra consertar as coisas erradas que fiz
ou arrepender-me das mentiras que contei
pra recuperar os amores que perdi
ou desculpar-me das pessoas que iludi?
...não me lembro
é muito raro me lembrar
e quando lembro-me
logo esqueço
logo desisto
...deve haver um chá
ou uma vacina
pra combater essa minha falta de pudor
deve haver um remédio
pra esse egoísmo e crueldade aqui dentro
deve haver um veneno
na flor ou na serpente ou num novo beijo
e na poeira sobre os móveis largados
deve haver a esperança
e o recomeço.
FARINA
seus gritos e seus silêncios
enchendo meus dias de dúvidas
...e se fosse somente isentar-se das culpas
e sentir a saudade
...e se fosse só mais uma taça de vinho
para as desculpas todas se acabarem
assim como evaporam rápidas
as aspirinas do seu pote de milagres
seus gritos e seus silêncios
perfurando meus tímpanos
alucinando-me...alucinando-me
fazendo-me ouvir orações pagãs
...e se esquecer fosse só desligar-se
e apagar todas as luzes
e não me lembrar pra logo me esquecer
as loucuras dentro da tempestade
os segredos perdidos
os gritos na tempestade
o pesadelo no trovão
os raios em seus olhos
o imaginário violento
e a revelação.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
SRVS
nunca fui fiel
nem ao meu amor
nem ao meu corpo
nem as minhas ideologias
perdi o tempo que passou
perdi a razão que me traiu
perdi a fé que nunca tive
me fiz muito mal
e amaldiçoei Deus
não pelas perdas
não pelos prejuízos
foi por Ele ter-me feito assim
tão obssevivo e compulsivo
tão desapegado de tudo
tão desassossegado de calmas
e desprovido de percepções
de certo e errado
de limite e exagero
...e você estava aqui
do primeiro dente que troquei
até a primeira ressaca de vinho
da perda da virgindade
até a minha perdição completa
dos meus quinze
aos meus trinta e dois anos
e agora você se foi...
e eu sou o amaldiçoado da vez
e se Deus ainda tivesse pena de mim!!!
segunda-feira, 14 de julho de 2008
A ÁRVORE DE IPÊ
caminhando assim ao seu lado
fica fácil de entender
o porque das flores de ipê
serem tão vistosas e amarelas
fica fácil de entender
o porque das suas sementes
serem tão frágeis e aladas
e terem o doce formato
de um delicado coração
fica fácil de aceitar
que árvores dão flores
que flores dão sementes
que por sua vez
geram árvores amantes
feito você e eu.
fica fácil de entender
o porque das flores de ipê
serem tão vistosas e amarelas
fica fácil de entender
o porque das suas sementes
serem tão frágeis e aladas
e terem o doce formato
de um delicado coração
fica fácil de aceitar
que árvores dão flores
que flores dão sementes
que por sua vez
geram árvores amantes
feito você e eu.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
A DOR , ARDOR , A DOR
palavras que me fazem chorar
gestos que me inibem
barba que espeta meus lábios
corpo que não respeita o meu
o desrespeito é o que tenho
cigarro e álcool e balas de menta
cheiro de suor que enoja o coração
o abraço que é o domínio
o beijo que sela a submissão
mãos que machucam no toque
que dirá o carinho então
...a dor
a dor que você me causa
a dor que meu corpo sofre
a dor que meu coração absorve
a dor que minha pele metaboliza
a dor que minha mente processa
a dor que minh'alma carrega
a dor que vivo
a dor...ardor...a dor
toda a dor do mundo em mim.
gestos que me inibem
barba que espeta meus lábios
corpo que não respeita o meu
o desrespeito é o que tenho
cigarro e álcool e balas de menta
cheiro de suor que enoja o coração
o abraço que é o domínio
o beijo que sela a submissão
mãos que machucam no toque
que dirá o carinho então
...a dor
a dor que você me causa
a dor que meu corpo sofre
a dor que meu coração absorve
a dor que minha pele metaboliza
a dor que minha mente processa
a dor que minh'alma carrega
a dor que vivo
a dor...ardor...a dor
toda a dor do mundo em mim.
J
o amor é sazonal
feito a chuva
feito a estiagem
vem e castiga a vida
faz a libélula desovar dragões
é aparência e essência
feito lágrimas
feito os risos
me abriga no limbo
faz dos pecados quase virtudes
é como o bárbaro
não o substantivo
falo do adjetivo
que tem em si
ao mesmo tempo
tudo do belo
e da catástrofe.
feito a chuva
feito a estiagem
vem e castiga a vida
faz a libélula desovar dragões
é aparência e essência
feito lágrimas
feito os risos
me abriga no limbo
faz dos pecados quase virtudes
é como o bárbaro
não o substantivo
falo do adjetivo
que tem em si
ao mesmo tempo
tudo do belo
e da catástrofe.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O SOM DA CHUVA
amplifico e aumento
o volume do som
da queda lenta
de cada lágrima sua
gravado e repetido
em séries infinitas
e reverberando
tenho pra mim o som da chuva
caindo pura e mansa
lavando a sujeira
levando embora a nojeira
de todos os telhados ao redor do mundo.
o volume do som
da queda lenta
de cada lágrima sua
gravado e repetido
em séries infinitas
e reverberando
tenho pra mim o som da chuva
caindo pura e mansa
lavando a sujeira
levando embora a nojeira
de todos os telhados ao redor do mundo.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
PRA NÃO DIZER QUE ME ESQUECI
eu visitaria todos os sentimentos da alma humana
caso tivesse que pensar em você outra vez
parei no ódio antes que chegasse a vingança
parei no ódio e engoli a raiva ainda crua
parei no ódio antes que me arrependesse de tudo
e desejasse me esquecer das coisas que senti
e desejasse desistir de tudo e cair no abraço seu
...parei antes que chorasse.
caso tivesse que pensar em você outra vez
parei no ódio antes que chegasse a vingança
parei no ódio e engoli a raiva ainda crua
parei no ódio antes que me arrependesse de tudo
e desejasse me esquecer das coisas que senti
e desejasse desistir de tudo e cair no abraço seu
...parei antes que chorasse.
terça-feira, 1 de julho de 2008
CATÁSTROFE
seria mais fácil
idiota e maravilhoso
diria charmoso...
seria perfeito
prático e poético
diria patético...
abandonar
você e a sua vida e a sua casa
numa triste e nublada e chuvosa manhã
da metade do mês de abril.
idiota e maravilhoso
diria charmoso...
seria perfeito
prático e poético
diria patético...
abandonar
você e a sua vida e a sua casa
numa triste e nublada e chuvosa manhã
da metade do mês de abril.
sábado, 28 de junho de 2008
INCOMUNICÁVEL
do contato labial
o beijo se faz e se desfaz
constroem-se
todos os nossos sons e a oralidade
da dança sexual
finalmente o orgasmo vem
primeiro o meu
em seguida o seu
para sermos então
dois corpos extenuados deitados
largados gozando o silêncio
e de repente na conversa
você interrompe minha fala
fragmenta minhas frases
desarticula os substantivos dos adjetivos
esconde-os dos pronomes e verbos e advérbios
neutraliza meu pensamento
não há mais diálogo
e não cordeno mais a visão
ainda assim
da comunicação a incomunicação
por toques e gestos e sinais
na minha expressão facial
e por minhas outras vibrações
digo que amo você.
o beijo se faz e se desfaz
constroem-se
todos os nossos sons e a oralidade
da dança sexual
finalmente o orgasmo vem
primeiro o meu
em seguida o seu
para sermos então
dois corpos extenuados deitados
largados gozando o silêncio
e de repente na conversa
você interrompe minha fala
fragmenta minhas frases
desarticula os substantivos dos adjetivos
esconde-os dos pronomes e verbos e advérbios
neutraliza meu pensamento
não há mais diálogo
e não cordeno mais a visão
ainda assim
da comunicação a incomunicação
por toques e gestos e sinais
na minha expressão facial
e por minhas outras vibrações
digo que amo você.
O MODELO NU
toda nudez é muda
expressa-se sozinha
não tem sexo aparente
insinua-se pra qualquer um
ilustra qualquer situação
de qualquer coisa
vende um milhão
e
conquista-se
aproveita-se
arrepende-se
abandona-se
e
depois morre-se de vergonha.
expressa-se sozinha
não tem sexo aparente
insinua-se pra qualquer um
ilustra qualquer situação
de qualquer coisa
vende um milhão
e
conquista-se
aproveita-se
arrepende-se
abandona-se
e
depois morre-se de vergonha.
SOBRE A TERRA
dias sem sol
noites sem amor
as pétalas cairão leves
secas das flores velhas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
estrelas sem céu
os olhos dormirão cedo
cegos à luz de velas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
camas desfeitas
louça suja na pia
sonhos sem vidas
terra adormecida
poetas sem inspiração
ar amarelo então
beijarei as costas das mãos.
noites sem amor
as pétalas cairão leves
secas das flores velhas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
estrelas sem céu
os olhos dormirão cedo
cegos à luz de velas
pintarei o ar de amarelo
dias sem sol
camas desfeitas
louça suja na pia
sonhos sem vidas
terra adormecida
poetas sem inspiração
ar amarelo então
beijarei as costas das mãos.
O AMOR SEGUNDO VODKA
meu amor
é frágil e poroso
de superfície corrosiva
e extremamente venenosa
maligno e vingativo
quase cego de tão doído
quase irracional de tão primitivo
quase imortal de tão vivo
quase louco de tanto que gira
puro
inocente
faz-me perceber você sempre
em todos os templos,momentos,ventos
em todos os bares,lugares,ares
em todas as vias,dias,sangrias
em todas as minhas vidas
passadas,presentes,futuras...vividas
...é assim que amo
após doses de vodka.
é frágil e poroso
de superfície corrosiva
e extremamente venenosa
maligno e vingativo
quase cego de tão doído
quase irracional de tão primitivo
quase imortal de tão vivo
quase louco de tanto que gira
puro
inocente
faz-me perceber você sempre
em todos os templos,momentos,ventos
em todos os bares,lugares,ares
em todas as vias,dias,sangrias
em todas as minhas vidas
passadas,presentes,futuras...vividas
...é assim que amo
após doses de vodka.
SHIVA
queria ser shiva
e ter todos aqueles braços
e todos aqueles poderes
expressar todos aqueles mistérios
queria seduzir e envolver você
pra abraçar e envolver você
quantas vezes eu pudesse
quantas vezes eu quisesse
quantas vezes fosse preciso
e
ainda que por um segundo apenas
satisfazer a todos os seus desejos.
e ter todos aqueles braços
e todos aqueles poderes
expressar todos aqueles mistérios
queria seduzir e envolver você
pra abraçar e envolver você
quantas vezes eu pudesse
quantas vezes eu quisesse
quantas vezes fosse preciso
e
ainda que por um segundo apenas
satisfazer a todos os seus desejos.
ANO NOVO CHINÊS - para Chris
me arrepia
me tira desse sufoco
não de uma vez...
dança comigo
só mais uma dança
coreografada no século XIV
e me deixa tonto
pra nunca mais esquecer...
me leva daqui
não pra fugir
só pra esquecer...
me deita na cama
não pra dormir
não pra sonhar
só me ame
só por essa noite
muito...muito...muito...
canta pra mim
ao pé do ouvido
uma música qualquer
sobre um amor impossível...
me faz uma poesia
daquelas sem fim
sobre lendas de dragões...
me abraça forte
e não me solta
só mais uma vez
só essa noite
e porque agora
você é minha única luz
e é ano novo chinês
com fogos de artifício no céu
revelando nossa noite
em mil e uma cores
...sou seu
explode-me
me ilumina.
me tira desse sufoco
não de uma vez...
dança comigo
só mais uma dança
coreografada no século XIV
e me deixa tonto
pra nunca mais esquecer...
me leva daqui
não pra fugir
só pra esquecer...
me deita na cama
não pra dormir
não pra sonhar
só me ame
só por essa noite
muito...muito...muito...
canta pra mim
ao pé do ouvido
uma música qualquer
sobre um amor impossível...
me faz uma poesia
daquelas sem fim
sobre lendas de dragões...
me abraça forte
e não me solta
só mais uma vez
só essa noite
e porque agora
você é minha única luz
e é ano novo chinês
com fogos de artifício no céu
revelando nossa noite
em mil e uma cores
...sou seu
explode-me
me ilumina.
O 1º ABSURDO
dizem...
sempre é muito tempo
tempo é muito sempre
sempre é muito pouco
pouco é muito sempre
sempre é pouco tempo
tempo é sempre pouco
sempre assim
assim sempre
o tempo é muito pouco sempre.
sempre é muito tempo
tempo é muito sempre
sempre é muito pouco
pouco é muito sempre
sempre é pouco tempo
tempo é sempre pouco
sempre assim
assim sempre
o tempo é muito pouco sempre.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
O PARAÍSO DOS POBRES
é tão pobre o paraíso dos pobres
...tão desprovido de ilusões
tão vazio de segundas intenções
um lago e uma macieira
e uma cobra que rasteja
e alguém escondido
que cubra a vegonha perdida
quando se descobre a verdade
e o sinal da mordida.
...tão desprovido de ilusões
tão vazio de segundas intenções
um lago e uma macieira
e uma cobra que rasteja
e alguém escondido
que cubra a vegonha perdida
quando se descobre a verdade
e o sinal da mordida.
O DEUS DOS INDIVIDUALISTAS
palavras malditas na cama desfeita
esfriam corpos e lençóis e o tempo
o abismo está aberto outra vez
e é para sempre agora
atitudes e pensamentos egoístas
o não flexionar-se para o conforto alheio
e então...
mais um deus é criado no Olimpo:
o Individulismo
ela dorme cedo
enquanto no escuro
ele se masturba.
esfriam corpos e lençóis e o tempo
o abismo está aberto outra vez
e é para sempre agora
atitudes e pensamentos egoístas
o não flexionar-se para o conforto alheio
e então...
mais um deus é criado no Olimpo:
o Individulismo
ela dorme cedo
enquanto no escuro
ele se masturba.
ANJOS DEVASSOS
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer proteger-se tanto
quando seus próprios anjos voam pelados
purpurinados e com rosas asas de flamingos
retocando a maquiagem já toda borrada
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer precaver-se tanto
quando seus próprios anjos voam excitados
masturbando-se em nuvens brancas sentados
escondendo o gozo em sorrisos maculados
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer esquivar-se tanto
se sempre é notório os saberes de que
anjos devassos prevaricam e nem querem beijar
soando por demais obscenos e imorais.
pois de que adianta querer proteger-se tanto
quando seus próprios anjos voam pelados
purpurinados e com rosas asas de flamingos
retocando a maquiagem já toda borrada
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer precaver-se tanto
quando seus próprios anjos voam excitados
masturbando-se em nuvens brancas sentados
escondendo o gozo em sorrisos maculados
não liberte os anjos acorrentados ao telhado
pois de que adianta querer esquivar-se tanto
se sempre é notório os saberes de que
anjos devassos prevaricam e nem querem beijar
soando por demais obscenos e imorais.
A POESIA EM SI
vejo os picos altos tocando o meu nariz
vestígios dos pêlos de lhamas
a quase ausência de oxigênio nas fendas
com suas múmias atarracadas escondidas...
e há fragmentos de Neruda no ar
intoxicando até o sangue de dentro do coração
rodopiando a alma feito catavento
junto a naúsea da altitude
e o branco da neve
e a dor em todos os poros...
que não passa
que não passa nunca
que não quer passar
e o analgésico em pílulas de versos...
vomito outra poesia colorida
que é somente outro vestígio do meu amor por você
que é a vida que vivo por você
e ainda assim...nada passa
nada desaparece
nada reage...
morre o ar em mim
morre a vida ao redor
mas não morre o último verso pra você dentro de mim.
vestígios dos pêlos de lhamas
a quase ausência de oxigênio nas fendas
com suas múmias atarracadas escondidas...
e há fragmentos de Neruda no ar
intoxicando até o sangue de dentro do coração
rodopiando a alma feito catavento
junto a naúsea da altitude
e o branco da neve
e a dor em todos os poros...
que não passa
que não passa nunca
que não quer passar
e o analgésico em pílulas de versos...
vomito outra poesia colorida
que é somente outro vestígio do meu amor por você
que é a vida que vivo por você
e ainda assim...nada passa
nada desaparece
nada reage...
morre o ar em mim
morre a vida ao redor
mas não morre o último verso pra você dentro de mim.
Assinar:
Postagens (Atom)

