domingo, 10 de agosto de 2008

O PÁSSARO ORIGAMI

ela tinha papel nas mãos
de todas as cores possíveis nesse mundo
e de repente
em movimentos de rápida delicadeza
não sei de qual magia ela usou
não percebi quais vincos marcou
foi tudo tão inebriante
que o papel transformou-se
num pássaro mitológico
brilhante e ágil e veloz
solitário
que singrava os ares
e vinha de bem longe
terras do sol
poente ou nascente
nascente ou poente
latente
e fugia pra algum lugar
que já nem sei mais onde
dizia-se aos cantos todos do mundo
repetia-se em todas as línguas e dialetos
que era lindo de se ver
que era a nova explosão do cosmo
e de repente
outro inexplicável movimento de dobradura
ou outra magia qualquer
e ela enjaulou o pássaro
triste e trágico e melancólico
solitário
era a nova fênix
a renascer
dentro de um coração.

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