terça-feira, 30 de setembro de 2008

SÃO PAULO 6/12/1998 (ENTARDECER)

o entardecer se despede
triste chega a escuridão
tristes seus olhos procuram os meus
...não há razão pra ser assim
tão desejado e tão proibido
de acontecimentos e encontros ocultos
um segredo secreto...o tabu

o entardecer se despede
triste toco seu rosto triste
não correm mais lágrimas nele
viajamos por todas nossas lembranças
fascinante mundo do faz-de-conta
faz-de-conta que é só amor
faz-de-conta é só mais um fim

são paulo
6 de dezembro de 1998
a poluição irrrita os olhos
o barulho desvia a atenção
o trânsito tenso não flui
todos os sentimentos congestionados
o ar particulado que entra e sai de mim
o sol laranja redondo colorindo o mundo
o efeito estufa e o ar quente
estrelas pipocando aqui e ali e acolá
música e perfume sedutores demais
o ar quente e parado sobre nós
é esse o nosso momento
chegamos ao abismo
e tudo já é quase noite ao redor

o entardecer se despediu
é quase noite e a garoa chega
doce e suave e úmida
atravessa nossos corpos como nada
faz doer a pele e os ossos
corrói a alma e os sonhos
cega os olhos e o pensamento
molha lentamente até encharcar

6 de dezembro de 1998
vai tudo acabar assim então...
boa noite , noite !

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